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25 abril dia D quatro trestemunhos

25 de abril: Chaimite “Bula”, o médico e o tiro na cabeça. Estiveram “dentro” no dia “D”

No âmbito das comemorações dos 50 anos da Revolução do 25 de Abril, em Barcelos decorreu uma tertúlia que retrata os momentos vividos por quatro indivíduos que participaram nos acontecimentos do Dia da Revolução.

O Furriel Manuel Correia da Silva, o Cabo José Alves Costa e o médico Mário Vale Lima, contaram de viva-voz as suas experiências e memórias da participação que tiveram nos acontecimentos do Dia da Revolução.

Têm a particularidade de terem participado ativamente do desenrolar das movimentações militares da madrugada do 25 de Abril.

Furriel Manuel Correia da Silva

O furriel, Manuel Correia da Silva, é natural de Barcelos, e tinha 22 anos quando comandou a chaimite “Bula”, participou em todas as principais movimentações da operação que libertou Portugal do regime ditatorial salazarista.

Correia da Silva tinha feito a recruta no Regimento de Infantaria 5 nas Caldas da Rainha e tirado a especialidade de blindados na Escola Prática de Cavalaria em Santarém.

Foi assim que lhe coube, ao comando da chaimite, transportar o presidente do Conselho de Ministros deposto, Marcello Caetano, retirando-o do quartel do Carmo para o posto de comando dos militares revolucionários sedeado no quartel da Pontinha.

Segundo relatou já, por diversas vezes, o objetivo da sua missão era dar máxima proteção ao governante destituído, o que conseguiria com total êxito.

Recorde-se que, além de Marcello Caetano, seguiram na chaimite “Bula” mais dois governantes: o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Patrício, e o Ministro do Interior, Moreira Baptista.

Cabo José Alves Costa

Só quatro décadas depois da Revolução do 25 de Abril se viria a descobrir a identidade do militar que, apesar de ter sido ameaçado com um tiro na cabeça, tomou a decisão de não disparar sobre a coluna de Salgueiro Maia no Terreiro do Paço no 25 de Abril.

Trata-se do cabo José Alves Costa. Este militar estava integrado num dos tanques da coluna que saiu do regimento de cavalaria 7, a caminho do Terreiro do Paço, que ia fazer a defesa de Marcello Caetano, “mas quando lá chegou tudo mudou”.

Este antigo cabo assegurou que quando saiu do regimento de cavalaria não sabia exatamente o que ia fazer e que apenas teve ordens para sair a caminho do centro de Lisboa.

“Sem saber o que se estava a passar no exterior, uma vez que apenas tinha acesso às comunicações militares, José Alves Costa teve ordens para não disparar sem a ordem do seu alferes”.

Tendo, entretanto, este sido preso, “um brigadeiro ameaçou José Alves Costa com um tiro na cabeça caso não disparasse, mas optou por não o fazer por respeito ao alferes que conhecia há muito tempo e que respeitava”.

Mário Vale Lima

Trata-se de um médico barcelense que em abril de 74 estava a trabalhar no Hospital Militar em Lisboa e que, mal ecoaram notícias sobre a Revolução, se dirigiu para as imediações do Quartel do Carmo, local onde se começaram a aglomerar milhares de populares.

Para se perceber a importância do testemunho do Mário Vale Lima, basta sublinhar que o Quartel do Carmo “foi o epicentro da queda da ditadura, o palco principal da Revolução de 25 de Abril de 1974, onde os acontecimentos ocorreram durante catorze horas. Foi aí que o chefe do governo, Marcello Caetano, se rendeu ao general Spínola, tudo isto depois de longas horas cercados pelas forças comandadas pelo Capitão Salgueiro Maia, um dos grandes heróis da Revolução dos Cravos”.

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