E24

A atividade física no Pós COVID

Foram recentemente publicados alguns dados do Sistema de Vigilância e Monitorização da Atividade Física e Desportiva do Instinto Português do Desporto e Juventude -IPDJ, que conta com o apoio da Universidade de Lisboa, Universidade do Porto, Universidade de Coimbra, Universidade de Évora e Universidade de Trás os Montes e Alto Douro.

Deste estudo resultou a ideia que foi publicitada pelo próprio IPDJ, que a prática desportiva aumentou durante o período de confinamento. Esta conclusão não pode ser vista de forma tão simples, uma vez que o aumento de 45% diz respeito apenas aos 30% que não tinham qualquer prática desportiva antes do isolamento social. Ao invés, verificou-se uma redução de 21% nos 71% da população que era ativa. Quer isto dizer em termos práticos que em 100 pessoas, temos menos uma com prática desportiva do que antes do confinamento.

Mas não deixa de ser positivo que 45% de quem não tinha qualquer prática, tenha passado a ter durante o período de confinamento. Espera-se que este bom hábito perdure no tempo e quem deixou de praticar o volte a fazer, aumentando assim o número de pessoas com uma prática desportiva regular. O investimento na prática desportiva é um excelente investimento!

Nesse mesmo estudo, foi evidente a aposta das pessoas nos programas de treino auto recreativos com ajuda das redes sociais. Esta foi aliás uma aposta de muitos ginásios com propostas de aulas online. Também muitas autarquias e empresas municipais apostaram das propostas de aulas através das redes sociais para combater o isolamento e manter os seus munícipes ativos.

Mas muitas outras pessoas passaram a realizar planos próprios de treino com ajuda de programas e aplicações móveis, bem como, a valorização da corrida e caminhada nos seus hábitos desportivos.

A perceção de que existem condições para realizar atividade física em casa aumentou significativamente, situação que pode mexer e muito com o mercado dos ginásios e academias. Verificou-se aliás uma corrida às lojas de equipamentos fitness e alguns materiais como colchões, bolas, steps, fitas de resistência, kettlebells, TRX e outros equipamentos desapareceram num “abrir e fechar de olhos” e rapidamente esgotaram.

O Governo e a Direção Geral da Saúde estão ainda a avaliar as condições para o retorno da atividade nos ginásios, no entanto, tendo em conta o tipo de atividade realizada e o ambiente fechado dos espaços, leva a crer que nos próximos tempos não haverá condições para que os ginásios e academias funcionem no imediato como até então.

Muitos ginásios terão de se reinventar, abrindo as suas atividades ao exterior. As aulas de grupo terão de passar por espaços exteriores e em contacto com a natureza, com utilização de equipamentos próprios (phones) e orientação de especialistas em exercício físico.

Com toda a certeza vão ganhar espaço e utilização os circuitos de manutenção ao ar livre ou as boxes de exterior, bem como, algumas atividades nas praias e praças, permitindo assim uma prática desportiva orientada e em segurança.

Mas o mais importante de tudo é que as pessoas se mantenham ativas, seja em casa ou em locais de maior isolamento e proteção social, pelo menos até que as orientações das entidades competentes sejam em sentido contrário.

Fiquem bem e, se possível, ATIVOS!

Publicidade

error: O conteúdo está protegido!!