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Segunda-feira, Agosto 8, 2022
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Esposende Smart City 1.0

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Hoje acordei pela manhã com a sensação de que devia aceitar um convite de um amigo.

Pediu-me ele que escrevesse sobre aquilo que eu quisesse, sendo eu um homem da restauração, do marketing e do desporto.  Obrigado pelo estímulo.

Acordei com a sensação que precisava escrever, não escrever como se pensasse que a escrita tem de culpar ou castigar alguém, mas com a ideia que seria um desabafo e pouco mais do que isso.

Vivo em Esposende, desde que me conheço por gente. Hoje esta é uma “smartcity”, alcunha esta dada por alguém que criou um projeto de desenvolvimento baseado nas suas ideias e nos seus interesses. Esposende tem uma autarquia que vive em grande parte do IMI que coleta. Não produz riqueza através de outros meios, mesmo assim uma “smartcity”, sim talvez uma “smartcity” versão 1.0, o grande problema é que as outras cidades inteligentes são 5.0.

O que têm de diferente? A relação entre a cidade e as pessoas, sim este bem precioso que nós temos, pessoas.

Nos dias de hoje fruto da “pandemia” que vivemos, estamos a valorizar ou não mais um pouco. Será que vai ser preciso mais duas ou três destas para começarmos a valorizar as pessoas.

Lendo algumas notícias online, deparei com esta: Equatorianos estavam a ser sepultados em caixas de papel, os nossos irmãos brasileiros vão a caminho de nem papel haver. Os americanos, a grande potência do mundo, descobriu que o dinheiro todo que têm não os salva.

https://www.publico.pt/2020/04/05/mundo/noticia/covid19-cidade-equador-enterra-mortos-caixoes-papelao-1911043

Será que o mundo mudará a seguir? Será que estaremos preparados para as próximas epidemias? Será que o projeto Europeu vai sobreviver? Será que Esposende vai aprender alguma coisa?

Bem voltando a minha terra. Esposende não está, como qualquer outra cidade não estava preparada para um surto destes. Temos alguns teóricos que sabiam que no livro “X” ou no ensaio “Y” era assim que se fazia. Mas na realidade não era executável.

Como alguém disse nos incêndios de Pedrógão Grande, tudo aconteceu porque não havia voz única de comando, não existe uma cadeia de comando efetiva, não no papel, bem definida e com voz de ação real. A estrutura de comandos é tão dispersa de vontades que nunca será única. Não havia confiança na liderança.

Então chegamos ao conceito de “smartcity”, sim a tal 1.0. Não seria melhor para Esposende, que não copiasse o que os outros fazem, e definir, visto que pode, as suas ideias de gestão.

Será que esta cidade inteligente sabe que é Barcelos o local para as nossas emergências, e não só, da pandemia. Será que fazer um processo de desinfeção urbano serve para alguma coisa? Estarão os cidadãos bem informados sobre o que devem ou não fazer? Nós gastamos bastante dinheiro em comunicação com os cidadãos e estaremos nós a comunicar corretamente? Estarão eles a perceber e a agir em conformidade?

Será que os comerciantes, mesmo antes desta crise que viram os seus negócios a fechar, por falta de gente no centro da cidade, são parte dessa “smartcity”. Estará esta ideia ou projeto preparado para este momento, e os próximos? Teremos nós de continuar esta ideia ou seremos capazes de a elevar pelo menos à sua versão 2.0?

Será que o projeto, a visão destes governantes é viver do turismo? Dos Caminhos de Santiago? Sendo nós um concelho sem derrama, não seria um local “ideal” para colocar a minha empresa?

Não estaremos nós a ser sugados por ideias de terceiros, sem percebermos qual será o nosso destino. Se este Município tem uma visão, eu não sei qual é. Onde querem Esposende daqui a 20 anos, seremos nós capazes de manter as nossas finanças em dia, quando tivermos de renovar grande parte das nossas infraestruturas. Seremos nós capazes de o fazer em tempo útil para as pessoas? Alguns foram grandes “bluff´s” de ideias ultrapassadas que aqui ainda estão por fazer!

Somos uma cidade apelidada por alguém como “Um Privilégio da Natureza”, e foi graças ao Parque Litoral Norte que “salvamos” alguma coisa. Nós chegamos a ter negócios em cima do rio. Nós temos um passeio pedonal em cima dele.

Hoje adotamos a sigla “smartcity”, uma ideia de marketing territorial, do que qual não conhecemos a sua origem, projeto, implementação e fim.

Será que os decisores estão aliados dos melhores técnicos ou pensadores, terão eles uma ideia clara do que pensam para 2040 e 2045, ou acha, como alguns já acharam, que a decisões em Esposende são a 12 anos?

Um dia pedi, em uma reunião com os empresários da restauração, que me fosse cedido uma cópia do estudo, feito por uma empresa, sobre a estratégia de marketing territorial a adotar e de onde tinham saído algumas ideias já implantadas até então. Solicitaram-me o email, e nunca recebi! Estaria este estudo capaz de responder aos desafios que dois ou três anos depois surgiram? Duvido. A política de esconder as ideias, copiar algumas e dizer são minhas, não debater as ideias em fóruns adequados (não me refiro aos órgãos autárquicos) e muitas vezes com vozes divergentes, mas capazes de suscitar a mudança ou pelo menos a reflexão, não são, nem nunca foram a prática deste município.

Não me vou alongar mais sobre algo que ainda não vivi, mas penso que algumas das decisões já tomadas vão ser parcas e algumas obsoletas daqui a poucos anos.

Em jeito de reflexão queria apenas deixar uma frase: “As grandes estratégias consistem em uma configuração singular de muitas atividades de reforço que dificultam a imitação pura e simples” – Philip Kotler.

Obrigado a todos que lerem este texto.

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