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Presidente da CCDR-N avisa que “modelo centralizado” do Estado está “esgotado”

O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) avisou hoje que o “modelo centralizado” do Estado “está esgotado” e que aquela entidade não pode continuar a trabalhar na “trincheira de uma resistência negociada”.

“O modelo centralizado do Estado e do nosso desenvolvimento socioeconómico, modelo de que atuais CCDR são subsidiárias, está esgotado e todos os dias nos chegam sinais do seu cansaço”, afirmou António Cunha na sessão de apresentação do livro “Crónicas sobre o Douro… e outros temas”, de Luís Braga da Cruz.

O ex-reitor da Universidade do Minho alertou ainda que a coesão territorial “não se alcança pela adoção de uma espécie de país médio, por fórmulas uniformes de uma folha de cálculo que, cada vez mais, são arquétipos distantes da realidade que tentam modular e, por isso, apenas aceitáveis para quem desconhece essa realidade”.

Numa sessão que teve também por objetivo formalizar a atribuição do nome de Luís Braga da Cruz ao Auditório da CCDR-N, António Cunha apontou como objetivo “defender e devolver o brilho da história da CCDR-N” mas, salientou, “esse brilho se fez, muitas vezes, de atos de resistência e de negociação contra o atávico modelo centralizado do desenvolvimento português”.

Ao longo de um discurso pautado por um “simples e justo” obrigado a Luís Braga da Cruz, antigo presidente da CCDR-N, o atual ocupante do cargo criticou o atual modelo de governação, que classificou de “centralizado e macrocefálico na Capital e fragmentado e que a que a ninguém beneficia” e reclamou por uma “refundação da CCDR-N e de uma reorganização regional” do Estado.

António Cunha lamentou que pouco tenha mudado entre os anos de Braga da Cruz à frente da CCDR-N (1986-1995/1996-2001) e o seu mandato: “Trinta, quarenta, cinquenta anos depois não podemos continuar a trabalhar apenas, na trincheira de uma resistência negociada, por muito romântica que seja”, disse.

Para António Cunha, não se pode continuar a adiar, o “encontro com um futuro que, qual miragem, se esvai na energia perdida a alimentar a ineficiência do centralismo”,

Centralismo que para o presidente da CCDR-N é “sempre justificado pelo racionalismo da gestão de recursos humanos e materiais, mas, quase, sempre materializado na criação de estruturas ineficientes e descontextualizadas das realidades, dos territórios onde as pessoas vivem e trabalham”.

Por isso, António Cunha terminou com um apelo ao Governo, à oposição e ao presidente da República.

“No atual contexto, importa que o Governo cumpra o seu programa, desenvolvendo com a oposição, sob o alto patrocínio do presidente da República, uma concertação para um roteiro para a regionalização, no mais amplo consenso possível”, referiu.

 

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