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Viana: DKC acusa câmara de “licença para matar” habitat dos “borrelho” e desporto inclusivo

Um clube de canoagem acusa a Câmara de Viana do Castelo de ter dado licença para a “destruição do habitat do borrelho em Darque”. “Um desastre ambiental e desrespeito às práticas desportivas inclusivas”, afirma o clube.

As acusações vêm do clube de canoagem de Darque. A direção do Darque Kayak Clube (DKC) afirma ter testemunhado no último dia 28 de janeiro a um ato de desrespeito ambiental que abalou a comunidade local.

O habitat do Borrelho de coleira interrompida, situado na frente ribeirinha ao Centro de Canoagem, sede da DKC, foi destruído durante a realização de uma prova de BTT, promovida pelo município de Viana do Castelo em colaboração com a Junta de Freguesia.

Em 2020, a DKC, juntamente com a Polícia Marítima e o Centro Municipal de Interpretação Ambiental (CMIA) do Município de Viana, uniram esforços para proteger os ninhos do Borrelho e preservar a área, inclusive suspendendo a organização de regatas no local.

canoistas de canoa às costas

Contudo,  aproximadamente 150 bicicletas invadiram o terreno, destruindo o habitat e o tecido vegetal que estava em processo de recuperação.

Segundo a direção do DKC, a surpresa e indignação são ainda maiores considerando o conhecimento prévio das autoridades envolvidas sobre a presença desta espécie protegida.

“O percurso da prova de BTT, que atravessou a área crítica para a nidificação, impediu o acesso à água para canoístas, incluindo atletas com deficiência, que foram obrigados a serem transportados às costas para alcançarem o seu local de treino”, acusam.

A DKC de Viana, que há anos trabalha em parceria com a CMIA para preservar o tecido vegetal e proteger o ambiente, expressou sua consternação pela falta de consulta prévia e de ações efetivas por parte das autoridades municipais.

nidificação de ninhos borrelho viana“Mesmo alertado sobre a situação, o município não tomou medidas para evitar danos ao habitat do Borrelho”, frisam.

A organização da prova de BTT reconheceu o erro e concordou com a DKC sobre a necessidade de uma investigação aprofundada.

A DKC pretende solicitar toda a documentação relacionada ao licenciamento do evento e questionar as entidades competentes sobre os motivos que levaram à aprovação de uma prova que colidiu diretamente com uma zona de proteção ambiental.

A falta de presença e intervenção de entidades ambientais, como Os Verdes e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), durante o evento também levanta questionamentos sobre o papel regulador destas organizações.

A DKC alega que “o desporto de natureza deve respeitar limites e não prejudicar zonas de nidificação, especialmente quando há um trabalho conjunto para proteger essas áreas”.

Este episódio levanta preocupações sobre a coerência e o compromisso ambiental da cidade de Viana do Castelo, que, ao mesmo tempo em que se esforça para proteger o Borrelho, permite eventos que destroem o seu habitat.

A comunidade espera respostas das autoridades envolvidas e medidas concretas para prevenir futuras ações prejudiciais ao meio ambiente e às práticas desportivas inclusivas na região.

O E24 contactou a Câmara de Viana do Castelo mas até ao momento não obteve resposta.

 

 

 

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