O Complexo Desportivo de Fão, no concelho de Esposende, é um dos elementos que fundamentam a decisão judicial de arrestar bens da SAD do Leixões, da sua acionista maioritária, Play-Fair, e do presidente André Castro.
Segundo a decisão consultada pelo E24, o tribunal identificou o risco de venda do equipamento entre os motivos de receio de perda da garantia patrimonial dos créditos.
O complexo – envolto em polémica após decisão unilateral do então dirigente do CF Fão Paulo Campos – foi adquirido pela Play-Fair com recurso a um empréstimo de 1,36 milhões de euros concedido pelo empresário brasileiro Anderson Fellipe Gonçalves, que requereu a providência cautelar. A decisão do Juízo Central Cível da Póvoa de Varzim foi conhecida em 22 de outubro.
Um investimento que previa desenvolver a formação do Fão
A aquisição do equipamento foi anunciada em julho de 2024, numa operação avaliada em cerca de 1,5 milhões de euros. O negócio abrangia o estádio e os terrenos envolventes, numa área total próxima de 36 mil metros quadrados.
Na altura, o projeto previa acolher os treinos da equipa principal do Leixões e apoiar o desenvolvimento do futebol de formação do Clube de Futebol de Fão. Foi também apresentada a intenção de transformar o espaço numa cidade desportiva, com outras modalidades.
Em novembro de 2018, SC Braga, CF Fão e Câmara Municipal de Esposende chegaram a anunciar a formalização da compra do complexo desportivo de Fão pelo clube bracarense, mas que Paulo Campos – que aturava em nome do clube fangueiro – não terá cumprido segundo notas de imprensa do SC Braga e Câmara de Esposende. A sua venda ocorreu através de um processo judicial relacionado com dívidas do CF Fão, segundo explicou o presidente do clube, Paulo Campos na altura aos media.
Também em julho de 2024, a Câmara de Esposende afirmou ter assegurado a manutenção de uma cláusula de reversão na venda judicial, que apresentou como uma forma de proteger os interesses da comunidade de Fão e do concelho. A informação agora divulgada sobre o arresto não esclarece os efeitos dessa cláusula no atual processo.
Tribunal aponta empréstimos superiores a cinco milhões
De acordo com a notícia da Lusa, o tribunal considerou sumariamente provado que Anderson Fellipe Gonçalves concedeu 18 empréstimos à SAD e à Play-Fair, entre novembro de 2023 e abril de 2026, num total de 5,062 milhões de euros.
O arresto foi determinado até 2,141 milhões de euros relativamente à Play-Fair e até 2,921 milhões relativamente à SAD, acrescidos dos juros previstos na decisão. Para André Castro, o limite foi fixado em 3,335 milhões de euros, correspondente à parte dos empréstimos que afiançou. Este último valor não acresce ao capital emprestado às sociedades.
SAD aguarda confirmação e apresenta a sua versão
Numa reação enviada à Lusa, a SAD do Leixões afirmou desconhecer o arresto e ter sido surpreendida pelas notícias. Indicou que tomará posição após confirmar as informações divulgadas.
A sociedade reconheceu que o empresário brasileiro é credor no seu processo especial de revitalização, sustentando que o plano de recuperação foi aprovado e transitou em julgado e que os pagamentos seguem as condições homologadas judicialmente.
Na mesma comunicação, a SAD afirmou que, juntamente com a Play-Fair, é credora da Golden Goal, empresa do grupo Aliya Capital Partners, em mais de 22 milhões de euros. Segundo a sua versão, o montante resulta de incumprimento contratual, estando em curso diligências para o recuperar.













