O líder do Partido Socialista, José Luís Carneiro, considerou esta sexta-feira que as declarações do presidente do IHRU, Benjamim Pereira, sobre o sacrifício dos jovens na habitação foram “infelizes”, mas remeteu uma eventual demissão para o primeiro-ministro, Luís Montenegro.
“Ele próprio se retratou, dando conta de que eram palavras infelizes. Temos agora o responsável do IHRU, que, em vez de se concentrar naquilo que tem de se concentrar, vem considerar que os mais jovens têm de fazer sacrifícios”, criticou o líder socialista, em declarações à entrada para o plenário de esclarecimento sobre o Orçamento do Estado para 2027, em Ermesinde, concelho de Valongo .
Benjamim Pereira admite “expressões infelizes”. Pinto Luz concorda e BE quer audição
José Luís Carneiro recordou que esta não é a primeira vez que o Governo tem declarações polémicas sobre o tema, referindo-se à “frase relativa ao egoísmo dos jovens da responsabilidade do primeiro-ministro”.
“O responsável do IHRU, em vez de se concentrar naquilo que tem de se concentrar, vem dizer que os jovens têm de fazer sacrifícios”, acrescentou.
“Os jovens já fazem muitos sacrifícios”
O líder do PS recorreu aos dados divulgados recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para ilustrar a gravidade da crise habitacional. “No segundo trimestre deste ano, o aumento com habitação ultrapassou os 18%, o que significa que, desde que este Governo está em funções, houve um aumento do custo com habitação superior a 41%”, afirmou .
Carneiro criticou ainda o conceito de “renda moderada de 2.300 euros”, que, segundo o socialista, “provocou uma aceleração dos custos com arrendamento em 34% no país” e um aumento de 18% no número de jovens a viver em casas partilhadas. “Um em cada cinco jovens está a viver em casas partilhadas”, alertou .
Pedidos de audição e de demissão
A polémica em torno das declarações de Benjamim Pereira continua a gerar reações. Além do BE, que já pediu a demissão do responsável e a sua audição urgente no Parlamento, também o PCP, o Livre e o PAN solicitaram esta sexta-feira a audição parlamentar do presidente do IHRU, considerando as suas palavras “inaceitáveis” e “infelizes” .
O Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, já tinha classificado as declarações como “infelizes” na quinta-feira, revelando ter pedido explicações ao responsável. Benjamim Pereira veio entretanto a público admitir que as expressões foram infelizes, mas garantiu que nunca teve a intenção de desvalorizar as dificuldades dos jovens ou sugerir a emigração .
O líder do PS garantiu ainda o compromisso do partido em “fazer tudo” para encontrar soluções para a crise na habitação, defendendo o Serviço Nacional de Habitação Acessível e as propostas socialistas para o arrendamento.
“Na conversa que tivemos com a nossa coordenadora do programa, com a Associação Portuguesa de Bancos e com a Associação Nacional de Seguradoras, transmitiram-nos que estavam disponíveis para viabilizar essa proposta, porque a consideraram a única que equilibra a vontade dos proprietários com a segurança dos inquilinos”, revelou .















