O encerramento definitivo da multinacional dinamarquesa deixa 632 trabalhadores no desemprego e motiva perguntas aos Ministérios da Economia e do Trabalho.
Os grupos parlamentares do Partido Socialista (PS) e do Partido Comunista Português (PCP) manifestaram esta terça-feira, 3 de novembro de 2026, profunda preocupação face ao anúncio do fecho total e definitivo da fábrica de calçado Ecco, situada na freguesia de São João de Ver, no concelho de Santa Maria da Feira. A decisão da multinacional de matriz dinamarquesa atira 632 trabalhadores para o desemprego, motivando tomadas de posição políticas urgentes direcionadas ao Executivo.
Os deputados socialistas formalizaram um conjunto de perguntas ao Ministério da Economia solicitando esclarecimentos sobre os motivos avançados pela empresa e exigindo saber que plano de mitigação social, económico e industrial pretende o Governo adotar. O PS questionou igualmente a tutela sobre a eventual existência de apoios públicos ou comunitários concedidos ao grupo económico ao longo dos anos, defendendo a busca ativa de novos investidores para rentabilizar a capacidade produtiva e as competências técnicas instaladas.
Por sua vez, a bancada do PCP remeteu requerimentos ao Ministério do Trabalho e da Segurança Social, alertando para o aumento imediato do número de famílias em situação de vulnerabilidade e fragilidade económica no distrito de Aveiro e na Área Metropolitana do Porto. Os comunistas insistem na necessidade de o Estado desenvolver diligências para assegurar a continuidade da laboração e a preservação do emprego na fileira do calçado.
O encerramento da unidade fabril em Portugal — em atividade contínua desde 1984 — enquadra-se numa restruturação da organização produtiva global da marca, que inclui também o desmantelamento de instalações no Vietname e a redução de perto de 400 funções de suporte regional e global na Dinamarca. O sindicato representativo do setor prevê que o processo de cessação total de funções e a respetiva liquidação das indemnizações laborais fiquem concluídos até ao término do primeiro trimestre de 2027.










