Esta foi a solução defendida para a segurança da população, das atividades económicas, do património cultural e do meio ambiente e, apesar de ser uma obra recente, já comprovou a sua utilidade, em janeiro último, aquando das inundações que fustigaram o país, nomeadamente em Lisboa e Porto, tal como sucedia em Esposende antes da construção do canal.
“Está profusamente comprovada a utilidade do canal intercetor, no que toca à componente hidráulica, destinada a prevenir inundações na cidade de Esposende. Por isso, o Município de Esposende está a estudar a construção de sistemas idênticos em outros locais do concelho, também afetados pelas inundações e sabemos que este modelo está a servir de exemplo para outras situações no país”, referiu o presidente da Câmara Municipal de Esposende, Benjamim Pereira.
As alterações climáticas são o maior desafio que a humanidade enfrenta. Esta obra agora concluída em Esposende reflete a consciencialização para as questões da sustentabilidade, bem como para o avanço das tecnologias. Ao longo dos 4,5 quilómetros, este arrojado projeto conta com diversos sensores de monitorização do caudal que, em tempo real, permitem o recurso a pontos alternativos de escoamento das águas. A ladear o canal foram plantadas cerca de 30 mil plantações, entre árvores, estacarias e arbustos, além de serem adotados materiais de salvaguarda do património natural, nomeadamente da vida selvagem e dos habitats.
“Trata-se de uma abordagem ecossistémica para enfrentar um problema que era real para a população de Esposende. O Canal Intercetor à cidade de Esposende é um dos projetos com maior envergadura financeira alguma vez conseguidos para Esposende e visa diminuir o risco de inundações na área urbana de Esposende e evitar situações como aquela registada em 2013, quando as inundações lançaram o sobressalto sobre a população”, adiantou o presidente da Câmara Municipal de Esposende.
A construção do Canal Intercetor teve início em julho de 2019, após o Ministério do Ambiente ter classificado a cidade de Esposende como “zona crítica”, no âmbito do Plano de Gestão de Riscos de Inundação, elaborado pela Agência Portuguesa do Ambiente.
O projeto desenvolvido pelo Município de Esposende acolheu o financiamento do Fundo de Coesão, ao abrigo do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (PO SEUR).
O autarca anunciou, ainda que o Tribunal de Contas deu, recentemente, parecer positivo, pelo que “vai arrancar a construção do edifício do IPCA, no valor de cinco milhões de euros”.
Paralelamente ao canal, estende-se um circuito de visitação e prática desportiva que entronca na Ecovia do Litoral Norte e, futuramente, no Parque da cidade, proporcionando novas opções de mobilidade suave. Esta obra revela-se impactante devido à proteção que exerce na zona urbana de Esposende, face às inundações, mas também será elemento estruturante no desenho urbanístico da cidade, criando um anel verde periférico.