E24

Ano novo, primeiras impressões

Política à portuguesa. O ano de 2022 terminou sob o signo das trapalhadas do Governo socialista, com demissões atrás de demissões.

Os primeiros dias de 2023 começaram da mesma forma, causando espanto como é que o Primeiro-Ministro não aprendeu com os erros recentes, sendo mais criterioso e exigente no recrutamento dos seus ministros e secretários de Estado.

Para salvar a face, o Governo introduziu um questionário de verificação prévia, composto por 36 perguntas, para escrutinar os futuros membros de cargos públicos.

Há já muito tempo que, ao nível da Comissão Europeia, os candidatos a comissário são sujeitos a rigorosa avaliação. Sempre me interroguei como é que essa boa prática não era implementada em Portugal. Certamente que teria poupado vários Governos de ministros sem qualquer qualificação para os respetivos cargos.

Política à moda de Esposende. No plano local, depois de um final de ano muito tenso entre PSD e PS, por causa da tragédia de Palmeira de Faro, eis que, nos primeiros dias de 2023, os dois partidos voltaram a trocar mimos entre si, desta feita, a propósito do grito de independência do vereador Luís Peixoto, que deixou de representar o PS no executivo camarário.

O PSD, na primeira mensagem do ano dirigida aos esposendenses, ao invés de anunciar as principais metas para o nosso concelho em 2023, tanto mais que, poucas semanas antes, havia sido aprovado o Orçamento e Grandes Opções do Plano para 2023, optou, ao invés, por se pronunciar sobre a política interna do PS local, surfando a onda da crise que por lá aconteceu. Uma oportunidade perdida.

Futebol desordenado. No rescaldo da renovação multimilionária de Mbappé com o PSG (cerca 251,5 milhões de euros durante três anos, acrescido de um prémio de assinatura de 125 milhões de euros), Luís Campos, consultor desportivo do clube parisiense, justificou os valores dizendo que «Quando vemos estas transferências altas, significa a importância que a indústria do futebol tem na sociedade atual e que os jogadores maravilhosos têm na vida das pessoas».

Nos primeiros dias de 2023, confirmou-se um segredo, de certo modo, mal guardado. Cristiano Ronaldo, o nosso fora de série, aceitou prosseguir (terminar?) a sua gloriosa carreira na Arábia Saudita e no respetivo campeonato periférico. Esta opção fará do jogador português o futebolista mais bem pago da atualidade, auferindo 200 milhões de euros por época.

Concedo que Luís Campos possa ter razão no que disse, mas estes valores chocam pela sua brutalidade. O futebol está muito, muito desordenado.

Bento XVI. No início do ano, foi a enterrar o Papa Emérito Bento XVI, falecido no último dia do ano, num sábado, dia que a Igreja dedica a Nossa Senhora, pela qual nutria muita devoção, e no tempo de Natal, o seu tempo litúrgico favorito.

Enquanto o mundo se despedia de Bento XVI, recordava-se o seu magistério, a sua grandeza de pensamento e, de modo particular, o impacto da sua visita a Portugal.

Tive a alegria imensa de ter participado na Missa que Bento XVI presidiu no Terreiro do Paço, com o Tejo sob pano de fundo, num daqueles dias em que Lisboa estava com uma luz incrível. Quem participou naquele encontro não saiu de lá da mesma maneira. Que sorte imensa a Igreja ter tido um Papa assim! Obrigado, Papa Bento!

E esta, hein?! Governo, Presidência e Parlamento recusam dizer quanto custou a ida de cinco políticos ao Qatar no Falcon e em voos comerciais. Esta reação em uníssono deve ser a famigerada ética republicana…

 

Publicidade