Ucanha, antiga vila e atual aldeia inserida no município de Tarouca, distrito de Viseu, é um exemplo vivo da história medieval portuguesa.

A aldeia abriga a emblemática Torre e Ponte de Ucanha, um monumento nacional desde 1910, considerado o único exemplo completo em Portugal de ponte fortificada associada a torre de portagem.

A ponte sobre o rio Varosa remonta a uma via romana que ligava Lamego ao interior, mas a traça atual data dos séculos XIII‑XIV.

A torre associada só se ergueu em 1465, mandada edificar pelo abade D. Fernando do Mosteiro de Santa Maria de Salzedas, para controlar e cobrar a passagem de pessoas e bens — constituindo assim a primeira portagem formal em território nacional.

Com cerca de 20 m de altura e planta quadrangular, a torre possui três pisos com setas de defesa e matacães no piso superior, cujo interior hoje alberga uma exígua exposição fotográfica.

Segundo relatos, quem não pagasse enfrentava a ameaça dos matacães: azeite a ferver derramado sobre os infratores.

A cobrança da portagem manteve‑se até 1504 ou 1507 (fontes divergem), quando foi formalmente abolida por foral de D. Manuel I.

Com isso perdeu sentido defensivo e económico, passando a torre a funcionar como celeiro ou armazém, e caindo em gradual degradação.
Integrada no Projeto Vale do Varosa desde 2014, a Ponte e Torre têm vindo a beneficiar de intervenções que visam melhorar a experiência de visitação, mesmo que permaneçam abertas apenas pelo exterior durante as obras.

Atualmente, os turistas podem subir à torre, apreciar as vistas sobre o rio e ouvir narrativas de entusiastas como Flávio Veloso, que com entusiasmo transmite as memórias medievais do local.

Ucanha, com cerca de 300 habitantes, integra a Rota das Aldeias Vinhateiras do Douro, ainda que pertença à região vinícola de Távora‑Varosa.
A aldeia é caracterizada por uma única rua pedonal, ladeada por casas de granito que preservam o espírito medieval.

A Torre e Ponte de Ucanha são assim um ponto singular na paisagem histórica do país — um testemunho da administração monástica, da fiscalidade medieval e da arquitetura defensiva.

Com vistas para largura do rio Varosa e para os vales vinícolas envolventes, a torre continua a ser um local de peregrinação cultural e turística.




