Suspeito de 52 anos estava em situação de contumácia e foi apanhado pelo NIC; tribunal decretou a medida de coação mais grave e enviou o arguido para a prisão preventiva
O Núcleo de Investigação Criminal (NIC) da GNR de Arcos de Valdevez deteve um homem de 52 anos suspeito de se fazer passar por empreiteiro de construção civil para burlar dezenas de pessoas à escala nacional. O indivíduo, que operava de forma fraudulenta desde 2018, encontrava-se em situação de contumácia (fugido à justiça) e era alvo de intensa procura por parte das autoridades policiais há vários anos.
O esquema, que se estendeu ao longo de oito anos, assentava numa estratégia digital concertada. O homem publicava anúncios atrativos em plataformas de venda online e redes sociais, onde se apresentava como um construtor legítimo e credenciado, de forma a captar a confiança de proprietários que procuravam realizar obras ou remodelações.
Orçamentos low-cost e “sinal” de 50% para garantir o golpe
Após conseguir o primeiro contacto com os clientes, o falso empreiteiro apresentava orçamentos com valores substancialmente abaixo do preço de mercado, uma tática eficaz para garantir a adjudicação rápida dos trabalhos.
O golpe consumava-se através do seguinte modus operandi:
- Adiantamento: Exigia o pagamento imediato de um valor inicial avultado, que correspondia habitualmente a cerca de metade do valor total da obra, alegando a necessidade de comprar materiais;
- Fuga: Assim que o dinheiro entrava na sua posse, o suspeito abandonava as propriedades sem iniciar ou concluir qualquer tipo de intervenção;
- Isolamento: Cortava de imediato todas as linhas de comunicação e deixava de responder aos contactos das vítimas lesadas.
Uma centena de lesados e uma vida em fuga permanente
A dimensão da fraude assumiu proporções nacionais. A investigação criminal conseguiu apurar que o detido está referenciado em mais de dez processos judiciais e em cerca de cinco dezenas de inquéritos ativos por crimes de burla qualificada e tentativa de burla. Os investigadores estimam que o número real de vítimas possa aproximar-se de uma centena de pessoas de vários pontos do país.
Para conseguir escapar ao radar das forças de segurança durante quase uma década, o suspeito adotava um estilo de vida itinerante: mudava constantemente de habitação, utilizava diferentes identidades falsas e trocava com frequência de cartões e telemóveis.
A operação de captura culminou com uma ação de busca domiciliária, onde a GNR logrou apreender um computador portátil, quatro telemóveis, oito cartões SIM, uma televisão, dinheiro em numerário e farta documentação incriminatória.
O arguido foi presente ao Tribunal Judicial de Ponte da Barca para o primeiro interrogatório judicial, onde o juiz de instrução lhe aplicou a medida de coação mais grave: prisão preventiva. O falso construtor foi já conduzido sob forte escolta para o Estabelecimento Prisional de Braga, onde irá aguardar o desenrolar do processo e o respetivo julgamento.





Aposto as fichas todas que é o empreiteiro Henrique Santos