O primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, afirmou hoje, em Esposende, que o Governo quer estender medidas de apoio à habitação “a todo o território”, incluindo zonas urbanas onde os preços são mais elevados.
Durante a apresentação do candidato social-democrata à Câmara local, Guilherme Emílio, Montenegro reconheceu que rendas de 2.300 euros são “muito altas”, mas salientou que esse valor já é realidade em Lisboa, Porto e na Península de Setúbal.
Nestes locais, sublinhou, o mercado “não tem oferta suficiente” e as famílias enfrentam dificuldades em aceder a habitação a preços moderados.
Segundo o primeiro-ministro, a situação afeta não apenas famílias, mas também profissionais essenciais.
“Estamos a falar de professores, médicos, enfermeiros, polícias, técnicos superiores e profissionais da administração pública e das empresas”, destacou, defendendo que a classe média nos grandes centros urbanos deve ser abrangida pelas medidas do Executivo.
Montenegro acrescentou que a solidariedade exigida fora de Lisboa e Porto deve também ser reconhecida no sentido inverso.
“Quem vive nos grandes centros urbanos tem o mesmo direito a acesso a serviços e a habitação condigna”, frisou.
O líder social-democrata reiterou que o PSD “não esquece ninguém” e que as medidas terão impacto em todo o país, incluindo as classes médias urbanas. “Quem não perceber isto não sabe o que é Portugal”, vincou.
Na quinta-feira, o Governo anunciou a redução da taxa de IVA para 6% na construção de habitação para venda até 648 mil euros e para arrendamento com rendas até 2.300 euros. O regime vigorará até 2029 e abrangerá também obras de construção e reabilitação destinadas ao arrendamento.
A oposição reagiu com críticas. O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, disse estar “surpreendido” com o valor de referência das rendas definido pelo Executivo.
“Considerar que a renda média do português é de 2.300 euros revela desconhecimento do país”, afirmou.



