Manuel Pereira, candidato do Bloco de Esquerda à Câmara de Esposende, defende que o concelho precisa de “soluções reais para habitação, emprego e qualidade de vida”.
Em entrevista ao LCafé by E24, o candidato sublinhou que as suas prioridades passam pela habitação acessível, pela reorganização económica e por uma estratégia de turismo sustentável.
Segundo Manuel Pereira, “os esposendenses têm direito a morar em Esposende”, mas o custo das casas e os baixos salários estão a empurrar os residentes para fora do concelho.
A primeira medida, afirma, seria “trazer para o mercado as casas devolutas”, lembrando que “cerca de 40% das habitações são segundas residências, fechadas a maior parte do ano”.
O candidato propõe a criação de uma empresa municipal de habitação – “Esposende Habitação” – que gere projetos de arrendamento a custos controlados e o parque habitacional social.

“As casas demoram tempo a construir, mas as pessoas precisam de respostas já”, defende.
Na área económica, Manuel Pereira propõe a criação de sociedades gestoras para zonas industriais, criticando o atual modelo.
“A zona industrial transformou-se num espaço comercial com hipermercados, sem emprego industrial significativo”, afirma.
O candidato quer “uma verdadeira zona industrial” a sul, junto ao nó da Apúlia, e outra a norte, articulada com o parque industrial do Neiva, capaz de “empregar pessoas de várias áreas e fixar população”.
No turismo, o candidato do Bloco defende “menos sazonalidade e mais qualidade”.
Aponta como prioridade “controlar o alojamento local e revitalizar a hotelaria tradicional”, que considera mais profissional e geradora de emprego.
Para diversificar o setor, aposta em “feiras, colóquios e eventos internacionais” nos pavilhões multiusos, reduzindo a dependência do turismo de praia.

“Em Esposende, se chover, os comerciantes não faturam um euro. A economia local não pode depender do bom tempo”, alertou.
Sobre mobilidade, Manuel Pereira considera “urgente criar um sistema de transportes urbanos municipais”.
Alega que “não podemos continuar a depender da CIM” e defende ligações diretas ao metro do Porto e à zona industrial do Neiva. O programa inclui ainda “parques de estacionamento multinível” em Esposende, Apúlia e Fão, e um sistema interno de minibus que funcione todo o ano, “para levar pessoas ao trabalho, à escola e ao hospital, e reduzir o uso do automóvel”.
Questionado sobre segurança, o candidato rejeita, para já, a criação de uma Polícia Municipal.
“O orçamento sairia diretamente da Câmara. Defendemos reforçar a cooperação com a GNR e melhorar a arquitetura urbana para prevenir situações de risco”, disse.
Manifestou ainda preocupação com “a chegada das drogas sintéticas ao concelho”, considerando tratar-se de “um problema grave e pouco debatido”.
Fora da política, Manuel Pereira revelou o gosto pelo desporto e pela corrida, hábito herdado do pai, e confessou ser apreciador de arroz de cabidela, prato que associa à infância em Sampaio de Antas.
Nas leituras, destacou “Os Dez Dias que Abalaram o Mundo”, pela “força e diversidade das lutas sociais”, e “A Tribo do Futebol”, pela “visão antropológica do desporto”.



