Nuno Markl já publicou uma foto nas redes sociais a dizer que “não somos super-homens”. Pois não e há sinais que avisam.
Um novo estudo internacional reforça uma conclusão dura, mas clara: quase todos os casos de doença cardiovascular dão avisos prévios, e a maioria das pessoas falha em reconhecê-los ou agir a tempo.
A divulgação surge num momento em que o caso de Nuno Markl — internado após sofrer um AVC — volta a colocar o tema no centro do debate público.
A investigação analisou mais de 600 mil casos na Coreia do Sul e cerca de mil nos Estados Unidos.
O resultado é inequívoco: mais de 99% dos pacientes que tiveram um enfarte, insuficiência cardíaca ou AVC apresentavam, antes do evento, pelo menos um dos quatro fatores de risco clássicos — tensão arterial elevada, açúcar no sangue acima do normal, colesterol alterado ou tabagismo.
Philip Greenland, um dos autores, sublinha que até aumentos considerados ligeiros nestes indicadores exigem intervenção imediata.
Os especialistas insistem que controlar estes fatores continua a ser a forma mais eficaz de reduzir o risco: monitorizar a tensão, vigiar o açúcar, corrigir o colesterol e eliminar o consumo de tabaco.

A novidade deste trabalho está na forma como os investigadores abordaram os dados. Em vez de se limitarem a diagnósticos formais, analisaram registos clínicos completos, mostrando que muitos doentes já apresentavam valores perigosos antes de qualquer diagnóstico oficial.
Ou seja, a ausência de diagnóstico não significa ausência de risco.
A ciência também aponta para componentes não clínicos com impacto significativo: stress, má qualidade do sono, sedentarismo e depressão podem ter um peso comparável ao tabaco ou à diabetes.
Para os especialistas, o desafio maior é comunicar este risco “invisível”.



