As autoridades suíças confirmaram que o incêndio devastador no bar Le Constellation, localizado na famosa estância de esqui de Crans-Montana, resultou numa situação de “flashover”, um fenómeno perigoso que explica o elevado número de vítimas.
A tragédia ocorreu quando fogos de artifício, armazenados em garrafas de champanhe próximas ao teto, provocaram a ignição rápida do ambiente, segundo Béatrice Pilloud, procuradora-geral do cantão de Valais.
Suíça: (vídeo) Incêndio em bar faz pelo menos 40 mortos e cerca de 100 feridos
Um flashover acontece quando gases quentes se acumulam no teto, aquecendo rapidamente os objetos ao redor até que todos atinjam seu ponto de ignição.
Este efeito, descrito pela Associação Nacional de Proteção contra Incêndios (NFPA), pode transformar uma sala comum em um inferno em questão de segundos.
A NFPA também mencionou o “backdraft” como um fator que pode ter contribuído para a rápida propagação das chamas. Esse fenómeno ocorre quando uma explosão acontece ao introduzir oxigénio em um ambiente saturado de gases quentes.
Com temperaturas que podem alcançar 540 graus Celsius, a sobrevivência, mesmo para bombeiros equipados, é extremamente improvável. O consultor em incêndios Stephen MacKenzie destacou que um flashover gera ondas de fumaça que se espalham lateralmente, pré-aquecendo tudo à sua frente.
O fogo, ao buscar oxigénio, pode criar um “efeito chaminé” quando portas são abertas, acelerando ainda mais a propagação.
“Temos uma camada de gás quente a formar-se. As pessoas começam a perceber: preciso de sair daqui”, afirmou MacKenzie. Ele alertou que o desenvolvimento de um flashover pode ocorrer em “segundos a minutos”.
Os ferimentos observados nas vítimas do incêndio, conforme relatado pelo Hospital Universitário de Genebra, são típicos de um flashover, com queimaduras graves em áreas expostas como rosto e membros. Lesões causadas por explosões incluem traumatismos severos e inalação de gases tóxicos.



