O prestigiado compositor e pianista belga Wim Mertens sobe ao palco do Centro Cultural Vila Flor (CCVF), em Guimarães, no próximo dia 16 de janeiro.
Este concerto não será apenas mais uma paragem na vasta digressão do compositor belga; trata-se de um encontro inédito onde as harmonias minimalistas de Mertens se fundem com a excelência técnica da orquestra vimaranense, sob a direção do maestro Vítor Matos.
O evento servirá para apresentar, em primeira mão, o novo álbum do artista, intitulado “As Water is to Fish” (2025), bem como o trabalho “Ranges of Robustness” (2024), além de percorrer os clássicos que definiram as suas quatro décadas de carreira.
Um ícone da New Music europeia
Compositor, pianista e vocalista detentor de um timbre de voz singular e imediatamente reconhecível, Wim Mertens (nascido na Bélgica, em 1953) é um dos criadores mais prolíficos da sua geração. Com mais de 70 álbuns editados, a sua influência estende-se muito além das salas de concerto, tendo assinado bandas sonoras icónicas para cinema, como a de “The Belly of an Architect”, de Peter Greenaway, e peças que se tornaram hinos da música de vanguarda, como “Struggle for Pleasure” ou “Maximizing the Audience”.
A sua formação académica em musicologia e ciências sociais reflete-se numa escrita musical que é, simultaneamente, matemática e emocional. Mertens estreou-se no mundo da gravação em 1980 e, desde então, tem explorado as fronteiras entre o eletrónico, o acústico e o vocal, consolidando uma reputação de “mestre do silêncio” e da intensidade subtil.
“As Water is to Fish“
O novo álbum, que será o centro das atenções em Guimarães, utiliza a metáfora da relação entre o peixe e a água como fio condutor. Para o compositor, este vínculo é “tão estreito e inseparável que é quase impossível imaginá-lo desfeito”. No entanto, em “As Water is to Fish”, Mertens propõe uma exploração sobre como afrouxar esses laços, sugerindo novos começos e focando-se na imprevisibilidade do comportamento humano.
Através de movimentos musicais súbitos e dinâmicos, o artista evoca a imagem do peixe que, por vontade própria ou necessidade, salta acima da rede para se libertar. É esta busca pela liberdade e pela quebra de padrões que os espectadores poderão experienciar no CCVF, através de uma sonoridade que promete ser hipnótica e luminosa.
A colaboração com o Ensemble da Orquestra de Guimarães
Um dos grandes atrativos desta noite será a interpretação das obras de Mertens por músicos locais de excelência. O piano de cauda e a voz de Mertens serão acompanhados por um ensemble de cordas da Orquestra de Guimarães, composto por Nuno Meira, Pedro Oliveira, Inês Cruz, Dhiego Lima, Joaquim Matos, Sara Castro, João Rosa, Carolina Palha, António Ferreira, Raquel Ribeiro e Joana Lopes.
Esta colaboração reforça a posição de Guimarães como um polo de criação artística capaz de dialogar com os maiores nomes do panorama mundial.
O maestro Vítor Matos assume a direção desta formação, garantindo que a precisão estrutural da música de Mertens é respeitada, ao mesmo tempo que se dá espaço à sensibilidade interpretativa dos músicos vimaranenses.
O concerto tem início marcado para as 21h30 do dia 16 de janeiro (quinta-feira).



