A Câmara de Barcelos decidiu abdicar de cerca de 600 mil euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que eram para proteção civil municipal para reforçar diretamente os bombeiros do concelho, assumindo-os como “pilar central”.
A decisão foi destacada esta segunda-feira pelo presidente do município, Mário Constantino Lopes, durante as comemorações dos 143 anos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Barcelos, que decorreram na cidade.
Segundo o autarca, a opção política passou por transferir a verba para as corporações, em vez de a utilizar em estruturas municipais.
Do montante global, 150 mil euros foram atribuídos aos Bombeiros Voluntários de Barcelos, outros 150 mil euros aos Bombeiros de Barcelinhos, e 100 mil euros para os Bombeiros de Viatodos destinados à aquisição de equipamentos para viaturas de combate a incêndios florestais e rurais.
“Percebemos que era preferível reforçar os bombeiros em meios e equipamentos, porque são eles que têm os instrumentos e os ativos necessários para responder às ocorrências”, afirmou.
Mário Constantino Lopes sublinhou ainda que o município continuará a apostar nos bombeiros como parceiros privilegiados, garantindo que a instituição se encontra atualmente estabilizada do ponto de vista financeiro, fruto de uma estratégia concertada com o movimento associativo.
O presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Barcelos, Eduardo Reis, destacou os investimentos realizados na última década, que ascendem a cerca de 2 milhões de euros em viaturas e 1 milhão de euros em infraestruturas.
Apesar disso, alertou para um problema estrutural: a falta de bombeiros voluntários, sobretudo nos meses de verão. Reis criticou o valor pago no âmbito do DECIR — 3,17 euros por hora — considerando-o insuficiente face às exigências do serviço.
O dirigente revelou ainda que, em 2025, a maioria das ocorrências ocorreu fora do concelho, com apenas 72 horas de incêndios em Barcelos, o que levou a situações em que o quartel ficou praticamente sem operacionais, uma realidade que classificou como preocupante.
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A representante da Liga dos Bombeiros Portugueses, Ana Luísa Damasceno, reforçou as críticas ao financiamento, defendendo a revisão urgente das verbas do DECIR e a criação de contratos-programa integrados, capazes de assegurar uma resposta mais eficaz à população.
As comemorações dos 143 anos dos Bombeiros Voluntários de Barcelos ficaram assim marcadas por reconhecimento institucional, mas também por avisos claros sobre os limites do modelo atual de proteção civil.










