António José Seguro e André Ventura mediram forças esta terça-feira no único debate da segunda volta das eleições presidenciais.
O confronto, transmitido pelas televisões do sinal aberto, expôs duas visões opostas para Belém: um presidente agregador e institucional, defendido por Seguro, e um combate político contra o sistema, assumido por Ventura.
O líder do Chega centrou parte do ataque nos apoios que António José Seguro tem reunido, incluindo figuras do centro-direita como Cavaco Silva.
Para Ventura, esses apoios não são um sinal de consenso, mas de resistência à mudança.
“Não estão a votar em António José Seguro, estão a votar contra mim”, afirmou, classificando a corrida presidencial como “uma luta das elites contra o povo”.
Seguro respondeu com um discurso de estabilidade e moderação. Garantiu que quer ser “o presidente de todos os portugueses”, rejeitando uma lógica de fações.
“Serei um presidente de diálogo, que não discrimina nem divide”, afirmou, sublinhando a defesa da democracia, da liberdade, da economia de mercado e do Estado social como marcas do seu percurso político.
Revisão constitucional
A revisão constitucional foi outro ponto de fratura. Ventura defendeu alterações à Constituição para acabar com subvenções vitalícias e travar nomeações partidárias no Estado. Seguro foi taxativo: não mudará a Constituição que jurará cumprir. Para o antigo líder do PS, o problema não está na Lei Fundamental, mas na exigência política ao Governo e nos resultados alcançados.
Economia e trabalho
No plano económico e laboral, Seguro rejeitou uma revisão laboral “selvagem” e defendeu salários mais valorizados e emprego qualificado, apontando a inteligência artificial como oportunidade. Ventura contrapôs com críticas a uma legislação “sovietizada”, defendendo um mercado de trabalho mais flexível e competitivo.
A imigração voltou a dividir os candidatos
Seguro insistiu na regulação com integração, destacando o contributo dos imigrantes para a Segurança Social. Ventura alertou para os impactos na habitação e nos serviços públicos, defendendo regras mais apertadas.
Na política externa e Defesa
Ambos falaram de segurança num mundo mais instável. Ventura prometeu firmeza face aos EUA e um reforço do investimento militar. Seguro acusou-o de incoerência e avisou que o Direito Internacional “vale pouco para os amigos de André Ventura como Trump”.
O debate confirmou o essencial: unidade institucional contra confronto populista. A escolha fica agora nas mãos dos eleitores.



