O PCP voltou a colocar o tema das privatizações no centro do debate político, defendendo uma ruptura com as políticas seguidas nas últimas décadas e alertando para impactos negativos “em todas as dimensões da vida nacional”.
A posição foi assumida em Famalicão, durante a apresentação do livro “Dossier As Privatizações – Contornos de Um Processo que É Preciso Reverter”, integrada na terceira edição do Roteiro do Livro Insubmisso, iniciativa promovida pela Direção Regional de Braga do PCP.
Na sessão, Vasco Cardoso, da Comissão Política do Comité Central, foi direto: as privatizações não trouxeram benefícios ao país e estão ligadas a uma lógica internacional marcada pelo neoliberalismo. Segundo o dirigente comunista, os impactos fazem-se sentir na atividade produtiva, no ordenamento do território, nas receitas do Estado e nos direitos dos trabalhadores.
“O que está em causa é um processo com consequências profundas, que atinge praticamente todos os setores”, defendeu.
O dirigente apontou ainda para a perda de controlo nacional sobre áreas estratégicas, sublinhando que muitas das principais empresas estão hoje sob comando estrangeiro. “Uma grande empresa em Portugal ou é pública ou não é nacional”, afirmou.
Dados apresentados durante a sessão indicam que, nas últimas décadas, terão saído do país cerca de 336 mil milhões de euros em lucros, dividendos e juros, valor que, segundo o PCP, evidencia os custos estruturais das privatizações.
Também Ricardo Cabral, economista e professor universitário, criticou o impacto destas políticas, afirmando que o tema tem sido afastado do debate público. Defendeu que não há casos claros de privatizações com resultados positivos para o país, apontando para práticas como precarização laboral, redução de salários e degradação da qualidade dos serviços.
A sessão surge numa altura em que o Governo anunciou a criação de um grupo de trabalho para avaliar empresas do setor empresarial do Estado com vista a possíveis privatizações — decisão que o PCP contesta.
O partido defende o reforço do controlo público em setores estratégicos, alinhando essa posição com o que considera ser o espírito da Constituição.
O Roteiro do Livro Insubmisso prossegue no dia 15 de abril, em Fafe, com a apresentação de uma obra de Álvaro Cunhal, mantendo o foco no debate político e ideológico sobre o futuro do país.



