Obra de 266 páginas sobre clássicos greco-romanos e textos cristãos foi apresentada no Fórum Municipal Rodrigues Sampaio
O Fórum Municipal Rodrigues Sampaio, em Esposende, acolheu a apresentação do livro “Alguns Livros da Minha Biblioteca e Outras Histórias”, da autoria do advogado e bibliófilo Francisco Marques. A obra constitui o décimo e último volume de uma prestigiada coleção dedicada ao estudo, catalogação e divulgação da sua biblioteca particular, reconhecida pela raridade dos seus incunábulos e volumes impressos nos séculos XVI e XVII.
A sessão cultural assinalou o encerramento de um longo e rigoroso percurso de investigação e contou com a presença do executivo municipal, de académicos e de representantes do setor editorial.
Um roteiro cultural com mais de 400 anos de história
Ao longo das suas 266 páginas, este derradeiro volume compila referências bibliográficas analíticas, transcrições, traduções inéditas e apontamentos críticos sobre obras impressas entre 1520 e 1592. O livro é ricamente ilustrado com reproduções dos frontispícios originais de autores fundamentais da cultura ocidental, divididos entre a antiguidade clássica e os pilares teológicos:
- Mundo Greco-Romano: Apiano de Alexandrino, Suetónio, Júlio César e Díon Cássio;
- Pensamento Cristão e Humanismo: Eusébio de Cesareia, Orígenes, Martinho Lutero e o humanista português André Eborense Lusitano.
A apresentação da obra ficou a cargo de Luís Leal, professor da Universidade Católica Portuguesa, que descreveu a coleção como “um verdadeiro itinerário de leitura”, capaz de mapear a evolução da escrita da História desde o período clássico até à afirmação do Cristianismo, funcionando como um roteiro de excelência pela herança europeia.
A escrita como repositório da memória humana
Durante a cerimónia, o autor refletiu sobre a importância vital da preservação física do património documental:
“O livro é o repositório da vida do homem e das suas obras, boas ou más. Foi a escrita que fez chegar até nós o que foram e o que fizeram os que nos precederam, no espaço e no tempo.”
O Presidente da Câmara Municipal de Esposende, Carlos Silva, fez questão de enaltecer o percurso cívico de Francisco Marques, destacando o seu papel na consolidação da democracia local e na advocacia, a par do seu percurso na bibliografia. Evocando uma máxima do próprio autor — “A imortalidade é a presença dos mortos na memória dos vivos” —, o edil sublinhou que a obra garante a transmissão de conhecimento e das raízes civilizacionais às gerações futuras.
Editada pela Modo de Ler, a coleção foi elogiada pela representante da chancela, Paula Marinho, que destacou o rigor científico e a qualidade ímpar da biblioteca de Francisco Marques, classificando o projeto como um contributo de relevo para a bibliografia nacional.




