Coligação exige avanço da Variante do Cávado, ligação ferroviária a Guimarães e critica suspensão do BRT com risco de indemnizações públicas
A comissão concelhia de Braga da CDU emitiu uma tomada de posição pública a propósito da iminente consignação da obra de reformulação do Nó de Infias, uma das zonas de maior estrangulamento de tráfego na cidade. Passados nove meses sobre a assinatura do contrato da empreitada — que ocorreu em setembro de 2025, a poucas semanas das eleições autárquicas —, a força política sublinha que, embora o investimento seja necessário e defendido pela CDU, a obra isolada não será suficiente para resolver os problemas de mobilidade do concelho.
Com os prazos de execução a apontarem a conclusão dos trabalhos apenas para meados de 2028, a coligação avisa que Braga arrisca manter-se num cenário de saturação rodoviária se o nó viário não for acompanhado por um planeamento estratégico de transportes públicos e vias alternativas.
Variante do Cávado e Linha Braga-Guimarães chumbadas na AR
A CDU recorda que o tráfego que satura o Nó de Infias é maioritariamente composto por fluxos de atravessamento com origem em concelhos a norte, como Vila Verde, Amares e Ponte de Lima, que procuram o acesso às autoestradas. Para desviar este volume do centro urbano, a coligação considera urgente a concretização de projetos estruturantes que esbarraram nas decisões políticas nacionais:
- Variante do Cávado: Uma proposta apresentada pelo PCP na Assembleia da República para a sua construção integral foi rejeitada com os votos contra do PSD e CDS e a abstenção do PS. A CDU defende que esta variante deveria incluir vias dedicadas a transportes públicos;
- Ligação Ferroviária Braga-Guimarães: Apontada como crucial para retirar automóveis da cidade e criar um eixo rápido no quadrante, a proposta de planeamento desta linha de comboio foi igualmente chumbada no Parlamento pela maioria PSD/CDS, com a abstenção do PS e da IL.
Passe intermodal e estacionamento na periferia
A força política lamenta o facto de o Governo e a Câmara Municipal de Braga não acompanharem as medidas de mitigação sugeridas, nomeadamente a criação de um passe intermodal e inter-regional que incentivasse a transição do transporte individual para o coletivo.
Para a CDU, a verdadeira rota de fuga ao trânsito caótico de Braga exige uma abordagem assente em três eixos municipais:
- Parques de Estacionamento Periféricos: Criação de parques dissuasores gratuitos, de elevada capacidade e seguros, integrados diretamente com as redes da CP, dos Transportes Urbanos de Braga (TUB) e dos futuros sistemas de mobilidade do Cávado e do Ave;
- Modos Suaves: Construção de uma rede de ciclovias segura e contínua que permita deslocações quotidianas confiáveis;
- Reforço de Frotas: Alargamento e valorização da oferta dos TUB.
Suspensão do BRT sob fogo crítico
A fechar o balanço à gestão da mobilidade local, a CDU manifestou profunda preocupação com a recente suspensão do projeto do Metro Bus (BRT). A coligação lembra que a empreitada já tinha sido adjudicada a um consórcio de construção, antevendo que a paragem do processo resulte no pagamento de indemnizações avultadas por parte do erário público.
“Resta saber quanto dinheiro terá de sair dos cofres públicos para cobrir a despesa, dinheiro que tanta falta faz no reforço dos TUB ou em outros sistemas de mobilidade”, remata a CDU, exigindo uma rutura com as políticas viárias atuais a favor do direito à mobilidade sustentável.



