Bigfoot alegou falta de encomendas e dificuldades financeiras; sindicato contesta legalidade do despedimento coletivo por falta de aviso prévio
A unidade fabril Bigfoot – Indústria de Calçado, sediada na vila de Ponte, no concelho de Guimarães, encerrou as suas portas de forma inesperada, deixando 52 trabalhadores no desemprego.
A notícia, avançada pelo Grupo Santiago, revela que os funcionários foram apanhados de surpresa ao final do dia da passada sexta-feira, 31 de julho de 2026, altura em que a gerência comunicou a intenção de avançar para um processo de despedimento coletivo. A administração fundamentou a decisão com o agravamento de dificuldades financeiras e com a quebra acentuada de encomendas.
Salários em atraso e pedido de subsídio de desemprego
Além da perda repentina do posto de trabalho, os operários enfrentam o incumprimento de obrigações salariais por parte da entidade patronal. À data do encerramento, os 52 trabalhadores não tinham ainda recebido o subsídio de férias nem o vencimento referente ao mês de julho.
Perante a situação, os afetados deslocaram-se já na passada segunda-feira às instalações do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) para dar entrada ao pedido do subsídio de desemprego. Os trabalhadores aguardam agora que o Tribunal publique a formalização do processo de declaração de insolvência da empresa, passo essencial para poderem reclamar os respetivos créditos laborais em dívida.
Sindicato aponta irregularidades no processo
O Sindicato do Calçado, citado pelo órgão de comunicação local, contestou o enquadramento do processo, alertando para potenciais ilegalidades na forma como o encerramento foi conduzido.
Segundo a estrutura sindical, a Bigfoot não cumpre os critérios legais para ser abrangida pelo regime de despedimento coletivo, na medida em que omitiu o envio do aviso prévio obrigatório aos trabalhadores, o qual devia ter sido comunicado com antecedência proporcional à antiguidade de cada funcionário na empresa.










