Há um debate sobre a inteligência artificial que me parece cada vez mais alheado da realidade.
Na Europa, passámos a discutir como regular a IA. Após a campanha um pouco ridícula do CEO da Anthropic a apelar à paragem e regulamentação em vésperas de campanha eleitoral nos Estados Unidos, o debate ficou ainda mais aceso. Contudo, o que acontece se nós simplesmente não desenvolvermos a tecnologia ao mesmo ritmo dos restantes?
Porque, para surpresa de ninguém, nem a China nem a Rússia vão esperar.
E uma lei não constitui uma defesa contra uma tecnologia desenvolvida por terceiros.
Se Portugal e a Europa decidirem que determinadas capacidades de IA são demasiado perigosas para desenvolver, mas outros países continuarem a desenvolvê-las, nós não eliminámos a tecnologia: apenas teremos eliminado a nossa capacidade de a criar e até de combater potenciais ameaças.
Imagine-se uma corrida tecnológica em que um dos participantes decide parar para redigir as regras enquanto os outros continuam a correr. As regras podem ser perfeitas; o problema é que, entretanto, já não teremos pernas para acompanhar quem ficou na frente.
Podemos ter a legislação mais avançada do mundo. Podemos escrever milhares de páginas sobre ética e responsabilidade. Podemos discutir durante anos os limites da inteligência artificial.
Mas se amanhã outra potência desenvolver uma capacidade que nós não conseguimos sequer reproduzir ou compreender, a legislação não será uma égide.
E é por isso que talvez devêssemos deixar de perguntar apenas: “Como vamos regular a inteligência artificial?”














