Inauguração coincidiu com o 98.º aniversário de elevação a cidade e encerrou um processo com cinco anos de derrapagem devido a correções técnicas ao projeto original
O Município de Barcelos reabriu hoje o Mercado Municipal, num investimento total de 4,8 milhões de euros (3,2 milhões financiados por fundos europeus via CCDR-N). O regresso ao edifício emblemático — concebido em 1966 pelos arquitetos José Carlos Loureiro e Luís Pádua Ramos — coincidiu com a celebração do 98.º aniversário de elevação de Barcelos a cidade e colocou fim ao funcionamento em instalações provisórias.
A obra, iniciada em fevereiro de 2020, registou uma derrapagem de cinco anos no prazo e de 2,9 milhões de euros no custo inicial. A autarquia justificou os atrasos com “deficiências técnicas” do concurso lançado em 2018 pelo anterior executivo (PS), que forçaram a atual liderança (PSD/CDS-PP/BTF) a lançar novo concurso e obras adicionais para cumprir a legislação vigente.
A cerimónia de inauguração contou com as intervenções do arquiteto José Manuel Lourenço, da vice-presidente da CCDR-N, Maria José Fernandes, do presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Mário Constantino, e do Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado.
Foto: DR E24
Génese arquitetónica e a memória de 60 anos
A sessão de discursos abriu com o arquiteto José Manuel Lourenço — responsável pela atual requalificação e filho de José Carlos Loureiro —, que evocou visivelmente emocionado a ligação da sua família ao imóvel desde há 60 anos:
“Este dia traz-me muita tristeza porque faz hoje quatro anos que o meu pai faleceu. Foi-lhe entregue este projeto em 1966. Lembro-me de vir aqui com ele, tinha eu 14 anos, para ele perceber as condicionantes e a topografia do terreno”, recordou.
O projetista explicou as soluções de adaptação do terreno original em dois pisos e detalhou a evolução das exigências técnicas desde a primeira tentativa de remodelação em 2008 até à versão final, que exigiu caixilharias com vidro duplo, reforço do isolamento térmico e instalação de elevadores para garantir a total acessibilidade a pessoas com mobilidade reduzida.
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O impacto dos fundos comunitários na Região Norte
De seguida, a vice-presidente da CCDR-N, Maria José Fernandes (em representação do presidente António Cunha), sublinhou a importância estratégica do financiamento europeu na qualificação dos espaços públicos.
“A inauguração do renovado Mercado Municipal é a demonstração inequívoca de que o investimento público, quando articulado com financiamento europeu e políticas urbanas coerentes, tem e terá muito impacto real na vida das pessoas e na competitividade dos territórios”, afirmou Maria José Fernandes, destacando que “renovar o mercado municipal é renovar a cidade e qualificar o espaço público”.
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O sentimento de pertença e a “pulsação de Barcelos”
Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Mário Constantino, confessou que perspetivava esta intervenção como a primeira grande obra a inaugurar no seu mandato iniciado em 2021, assumindo os constrangimentos do processo.
“A vida pública, como a vida de cada um de nós, raramente se faz segundo calendários perfeitos. Esta inauguração acontece hoje depois de várias vicissitudes, constrangimentos, enfim, de um caminho mais longo do que todos desejaríamos, mas ela acontece. Se algo demorou mais do que o previsto, foi para que hoje pudéssemos entregar à cidade uma obra digna, robusta e preparada para o futuro”, salientou o autarca.
Mário Constantino reforçou que o espaço representa a “pulsação de Barcelos” e sublinhou que “a excelência arquitetónica não é um luxo, é uma responsabilidade”, deixando um agradecimento público a José Manuel Lourenço por dar “um novo brilho à obra do seu pai”.
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Apoio à economia real, microprodutores e nova agenda para o comércio
A encerrar a cerimónia, o Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, destacou a relevância dos mercados para o comércio de proximidade e combate ao despovoamento.
“Estes pequenos investimentos são tão ou mais relevantes para aquilo que verdadeiramente significa a economia real do país. Estamos a falar de pequenos produtores, de microprodutores, que ainda hoje alavancam a sua economia e a sua saúde familiar nesta atividade. O comércio e serviços empregam praticamente 800.000 pessoas em Portugal, sendo um ativo extraordinário na fixação das pessoas e na mitigação do envelhecimento populacional”, apontou Pedro Machado.
O governante classificou o espaço como um “cartão de visita do Norte e de Portugal” e anunciou em primeira mão que a Direção-Geral do Comércio e dos Serviços (DGCS) vai lançar uma nova agenda com instrumentos financeiros de apoio à tesouraria, reabilitação de montras, sistemas de frio e eficiência energética e hídrica para comerciantes locais. Revelou ainda orientações à holding pública SIMAB para impulsionar a reabilitação de mercados municipais a nível nacional com financiamento do Banco Europeu de Investimento (BEI).
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