A consultora imobiliária reuniu especialistas no Porto no evento Porto Property Pace e revelou dados sobre energia, indústria, imobiliário e turismo.
A consultora imobiliária CBRE reuniu no Porto investidores e especialistas do setor no evento Porto Property Pace, onde apresentou uma análise detalhada que coloca a região Norte de Portugal em contraciclo favorável face à instabilidade macroeconómica e geopolítica internacional. Num contexto global marcado por tensões no Médio Oriente e por custos energéticos elevados na Europa central, a consultora demonstrou que a garantia de eletricidade limpa, a robustez da base industrial instalada e o posicionamento geográfico atlântico transformaram o Norte num destino prioritário para o Investimento Direto Estrangeiro (IDE).
A matriz elétrica nacional assenta em apenas 16% de fontes fósseis e beneficia de uma elevada componente hídrica que equilibra os custos de sistema. As tarifas de eletricidade não residencial são mais vantajosas do que a média europeia, impulsionadas pelo contributo da região Norte, que assegura cerca de 45% de toda a produção elétrica do território continental. José Maria Moutinho, Head of Research da CBRE Portugal, enfatizou que enquanto economias como a Alemanha se debatem com custos energéticos elevados e dependência fóssil, Portugal construiu uma matriz renovável que atua como alavanca de competitividade.
Esta estabilidade energética serve de suporte ao arco metropolitano Aveiro-Porto-Braga, que concentra cerca de 50% de toda a capacidade industrial transformadora do país, dividida em 32% nos distritos do Porto e de Braga e 17% no distrito de Aveiro. A região é o motor do saldo comercial positivo de bens de 2,3 mil milhões de euros do Norte, destacando-se as exportações de máquinas, ferramentas e veículos (7,76 mil milhões de euros), a par da metalomecânica e dos têxteis técnicos. Este ecossistema é alimentado pelas instituições de ensino superior do Noroeste, responsáveis por 40% do total nacional de diplomados em áreas STEM, gerando 9,6 mil novos diplomados em Engenharia e TIC por ano.

Rui Moreira, Head of Porto da CBRE Portugal, sublinhou que a cidade do Porto tem condições para se afirmar como a grande plataforma regional e porta de entrada para uma economia de escala. O responsável salientou que o stock de IDE nos setores da indústria, eletricidade e água na região Norte passou de 7,8 mil milhões de euros em 2012 para 36 mil milhões de euros no segundo trimestre de 2026.
Nos mercados de capitais, a taxa das obrigações soberanas portuguesas a 10 anos situa-se em torno dos 4,02%, abaixo dos rendimentos do Reino Unido e dos Estados Unidos. Contudo, a subida de 100 pontos-base nas taxas de referência do Banco Central Europeu reduziu o peso dos setores tradicionais (core) de 90% para 52% do total investido. Para ajustar o mercado a esta realidade, a CBRE atualizou as suas yields prime com uma expansão de 25 pontos-base para 5,25% em escritórios e 5,75% em logística e indústria, mantendo o retalho estabilizado em 6,50%.
No segmento residencial e de acolhimento (living), o Porto consolida-se como polo de inovação, somando na sua Área Metropolitana mais de 5.150 camas em residências de estudantes (PBSA), 745 unidades de flex living, 482 apartamentos em projetos build-to-rent e 384 quartos em empreendimentos de senior living. Paralelamente, o parque hoteleiro do Grande Porto expandiu 45% entre 2019 e 2025, atingindo os 25 mil quartos. Esta nova oferta manteve a taxa de ocupação nos 64% e permitiu subir o preço médio por quarto ocupado (ADR) para os 112 euros (RevPAR de 72 euros), alavancado pela duplicação do turismo norte-americano (que representa 13% das dormidas) e pelo peso das unidades de quatro e cinco estrelas.










