A iniciativa reuniu especialistas dos municípios de Esposende, Barcelos, Famalicão e Vila Verde para debater a saúde mental, o impacto do mundo digital e as novas respostas de proteção infantojuvenil.
O Hotel Axis Ofir, em Esposende, foi o palco da quinta edição do Congresso Intermunicipal sobre Proteção de Crianças e Jovens, subordinado ao lema «Infâncias que pedem tempo, sistemas que pedem mudança». Promovido em parceria pelas Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) e pelos Municípios de Esposende, Barcelos, Vila Nova de Famalicão e Vila Verde, o fórum reuniu dezenas de profissionais e especialistas do setor ao longo de dois dias.
A sessão de abertura contou com a intervenção da Presidente da Comissão Nacional para os Direitos das Crianças e Jovens, Ana Isabel Valente, da Presidente da CPCJ de Esposende, Isabel Abreu, e do Presidente da Câmara Municipal de Esposende, Carlos Silva. O painel de responsáveis autárquicos integrava ainda os vereadores Paulo Matias (Barcelos), Augusto Lima (Vila Nova de Famalicão) e Manuel Oliveira Lopes (Vila Verde).
Durante a intervenção de abertura, o presidente do município anfitrião, Carlos Silva, sublinhou a relevância da cooperação regional:
«Este congresso demonstra a importância de trabalharmos em conjunto para responder aos novos desafios da infância e da juventude. A cooperação entre municípios, instituições e profissionais permite reforçar a capacidade de intervenção e colocar os direitos das crianças no centro das nossas prioridades. Em Esposende, assumimos este compromisso com determinação, procurando garantir que todas as crianças e jovens possam crescer num ambiente seguro, saudável e promotor do seu desenvolvimento.»
Desafios do mundo digital, saúde mental e momento cultural
A Presidente da CPCJ de Esposende, Isabel Abreu, alertou para o fosso entre o ritmo das transformações sociais e a capacidade de resposta das estruturas públicas:
«As crianças pedem tempo, tempo para crescer, para serem vistas, para serem compreendidas. Os sistemas, por sua vez, pedem mudanças», referiu Isabel Abreu, defendendo o reforço da articulação interinstitucional.
Ao longo dos dois dias de trabalhos, o congresso abordou temáticas como a saúde mental infantojuvenil, as novas formas de violência, os riscos associados à exposição a ecrãs e ambientes de inteligência artificial, a delinquência juvenil, a inclusão da neurodiversidade e o acolhimento de crianças imigrantes.
A abertura do encontro ficou ainda marcada pela apresentação de um trecho da peça «Godot chegou, então, ouvem-se os gorjeios», dinamizada pela companhia infantil e juvenil de Esposende Boca de Cena.
No encerramento da iniciativa, foi confirmado que a rede de cooperação entre as quatro autarquias do Cávado e Ave terá continuidade, ficando agendada a realização da 6.ª edição do Congresso Intermunicipal para o ano de 2028, no concelho de Vila Nova de Famalicão.

















