O petróleo caminha para terminar 2025 com o pior desempenho desde o choque pandémico de 2020.
O Brent recua 18%no acumulado do ano e prepara-se para fechar o terceiro ano consecutivo em queda — a maior sequência de descidas anuais de sempre para esta matéria-prima.
O crude negociado em Londres, referência para as importações portuguesas, seguia perto dos 61,13 dólares por barril, cerca de 18% abaixo do nível de final de 2024. É a maior desvalorização desde 2020, quando o petróleo afundou mais de 21% e os preços chegaram mesmo a entrar em território negativo no mercado norte-americano, num colapso provocado pelos confinamentos e pelo travão súbito na procura.
A correção não se ficou pelo Brent. Nos Estados Unidos, o West Texas Intermediate (WTI) era negociado em torno dos 57,75 dólares por barril, com uma queda anual de 19%, também a mais acentuada desde a pandemia.
O ano começou com ganhos, alimentados por sanções mais duras à Rússia e por receios de interrupções no fornecimento para grandes consumidores como China e Índia.
A escalada da guerra na Ucrânia e o aumento das tensões entre Irão e Israel — a chamada “Guerra dos 12 dias” — voltaram a empurrar o crude em alta, sobretudo pelo risco de disrupções no Estreito de Ormuz, um dos principais corredores do comércio mundial de petróleo.
Mas o fator determinante acabou por ser outro: oferta em excesso. A OPEP+ aumentou a produção e colocou mais crude no mercado, numa tentativa de inverter a política de cortes dos últimos anos. Ao mesmo tempo, cresceram os receios sobre a economia global, com o tema das tarifas a ganhar peso no horizonte político e comercial.
A combinação de mais petróleo disponível e procura menos dinâmica travou as cotações. E o mercado já olha para 2026 com pressão adicional. O analista Jason Ying, do BNP Paribas, prevê o Brent nos 55 dólares no primeiro trimestre e à volta dos 60 dólares ao longo do ano.
A OPEP+ suspendeu os aumentos de produção para o primeiro trimestre de 2026, depois de acrescentar cerca de 2,9 milhões de barris por dia desde abril. O grupo reúne-se novamente a 4 de janeiro.
A Agência Internacional de Energia estima que a oferta exceda a procura em 3,84 milhões de barris/dia em 2026, enquanto o Goldman Sachs aponta para um excedente de dois milhões.



