O Sindicato dos Trabalhadores de Call Center (STCC) acusam a Concentrix de manter dezenas de trabalhadores dos projectos Avalon e RCC num clima de incerteza, precariedade e desgaste psicológico que se arrasta há mais de um ano.
A denúncia do STCC, que ainda acusa a multinacional de optar por uma política de silêncio, afirma que há “falta de transparência” e “despedimentos encapotados”, apesar de sucessivas greves, plenários e manifestações.
Ao longo de 2025, os trabalhadores viveram sob rumores constantes de encerramento de projectos, transferências forçadas e despedimentos de colegas prestes a serem efetivados.
Segundo o sindicato, a empresa nunca prestou esclarecimentos formais, alimentando um ambiente de medo permanente. Há relatos de trabalhadores que iniciam o dia de trabalho receando encontrar um email de despedimento ou o acesso aos sistemas bloqueado.
O STCC considera que esta estratégia não é acidental. Trata-se, afirma, “de uma escolha consciente que pressiona psicologicamente os trabalhadores e normaliza a instabilidade laboral num sector já marcado pela precariedade estrutural”.
Perante o silêncio da empresa, os trabalhadores decidiram tornar pública a sua posição através de uma carta aberta, agora divulgada pelo sindicato.
No documento, descrevem 2025 como “um ano de luta, de greve e de ignorância”, marcado por manifestações em Braga, paralisações sucessivas e ausência total de respostas por parte da Concentrix.
A carta relata que, apesar das mudanças de gestão entre Webhelp e Concentrix, os problemas persistiram, com remunerações mais baixas, despedimentos seletivos e tentativas de acordos para saídas sem direitos. Mesmo assim, os trabalhadores afirmam continuar a dar o melhor no desempenho das suas funções, apesar da ansiedade constante.
“O pedido é simples e direto: transparência sobre o futuro. Querem saber se 2026 será mais um ano de incerteza ou se terão finalmente estabilidade, emprego e condições dignas para trabalhar e viver”, afirma o sindicato.
O STCC exige “esclarecimentos públicos imediatos sobre o futuro dos projectos Avalon e RCC e garantias de respeito pelos direitos laborais”.
Para o sindicato, a mensagem é clara: “o silêncio da empresa é uma opção política — e a resposta dos trabalhadores será mais organização, mais solidariedade e mais luta”.



