A freguesia de Bravães, em Ponte da Barca, continua sem executivo eleito quase dois meses após as legislativas de 12 de outubro.
O empate entre forças políticas — BEM (3 eleitos), PS (3) e CHEGA (1) — travou todas as tentativas de composição da Junta e da Assembleia de Freguesia, deixando a autarquia em gestão limitada.
A reunião decisiva de 30 de outubro terminou sem acordo. Todas as propostas foram chumbadas, incluindo a lista do BEM, movimento independente apoiado pelo PSD, que venceu a freguesia mas sem maioria absoluta. Seguiu-se uma sequência de votações individuais, igualmente sem saída.
Carlos Araújo, autarca em funções e líder do BEM, acusa PS e CHEGA de bloquearem a formação do executivo e de invocarem argumentos legais — como a paridade — “sem fundamento”.
Perante o impasse, o BEM recorreu ao artigo 80.º, mantendo a junta cessante em funções provisórias.
Também na eleição da Assembleia de Freguesia o cenário repetiu-se: todas as propostas foram rejeitadas, incluindo uma lista completa do PS e uma solução que distribuiria elementos por todas as forças políticas. Araújo defende que o resultado eleitoral “não deu maioria absoluta a ninguém, mas mostrou que o povo queria que continuássemos a governar”.
Afirma ainda que a solução sugerida por PS e CHEGA “retira a maioria em tudo” e inviabiliza a estabilidade.
Do lado socialista, Alberto Cerqueira responsabiliza o BEM pela falta de entendimento. Para o candidato, o problema central foi a “ausência total de negociação”.
O PS sustenta que, somados, os votos de PS e CHEGA ultrapassam os 50%, o que justificaria uma distribuição de cargos que refletisse esse peso. Alberto Cerqueira diz ter esperado três semanas por abertura negocial que nunca chegou, garantindo que o partido não aceitará soluções impostas.
O eleito do CHEGA, Filipe Cardoso, insiste numa composição com elementos das três listas, defendendo que seria a forma mais justa de representar Bravães. Assume que entrou na reunião de 30 de outubro com essa intenção, mas considera que “não houve vontade de todos” para avançar.
Sem entendimento, a Junta permanece em gestão corrente, sem capacidade para decisões estruturais, contratações ou novos investimentos.
PS e CHEGA apontam as novas eleições como única saída realista. O BEM admite o cenário, lembrando que casos idênticos estão a ocorrer noutras freguesias do Minho.
O processo depende agora do município e da Comissão Nacional de Eleições, podendo demorar cerca de três meses — ainda mais com o calendário das Presidenciais a interferir.



