O acidente trágico no Elevador da Glória, em Lisboa, colocou de novo no centro da atenção pública a questão da segurança dos transportes mecânicos históricos.
No Minho, dois equipamentos com forte carga patrimonial e turística — o Elevador do Bom Jesus, em Braga, e o funicular de Santa Luzia, em Viana do Castelo — destacam-se não só pela procura, mas também pelas medidas de manutenção e vigilância aplicadas.
Bom Jesus de Braga: 143 anos sem incidentes

O elevador do Bom Jesus do Monte, o mais antigo funicular hidráulico do mundo ainda em funcionamento, celebrou este ano 143 anos. Inaugurado em 1882, continua a operar com base no contrapeso de água. Só em 2024 transportou quase meio milhão de passageiros, com tendência de crescimento em 2025.
A Confraria do Bom Jesus do Monte sublinha que “nunca se registou um acidente digno de nota em mais de um século de atividade”.
Cumpre rigorosamente as normas do IMT e da ANSF, apostando em formação e manutenções regulares. Em janeiro deste ano, realizou um simulacro com bombeiros, Proteção Civil, INEM e GNR.
O equipamento, classificado como Monumento de Interesse Público e inscrito na UNESCO, é também premiado pela vertente de sustentabilidade.
Santa Luzia: modernização e alvo de intervenção de fundo em 2023

Em Viana do Castelo, o elevador de Santa Luzia — o mais longo do género em Portugal, com 650 metros de percurso — continua a ser uma atração turística de peso.
A Câmara Municipal, responsável pela gestão, investiu 356 mil euros para obras de requalificação e manutenção, voltando o famoso funicular com 102 anos a funcionar.
Aliás, este funicular já enfrentou períodos de paragem, nomeadamente entre 2001 e 2007, e em 2022, devido a anomalias nos cabos.
Desde então, a autarquia tem reforçado investimentos para garantir segurança e fiabilidade.
Património e segurança
Os dois funiculares minhotos representam não apenas símbolos patrimoniais e turísticos, mas também casos de estudo de gestão de risco em equipamentos históricos.
As entidades responsáveis destacam que a prevenção, a manutenção regular e os testes operacionais são determinantes para manter a confiança dos passageiros e evitar tragédias semelhantes à registada ontem em Lisboa.



