A encomenda mais cara do ano na Uber Eats em Portugal custou 1.400 euros e incluiu a compra de um iPhone 15 e de uma PlayStation 5.
O retrato da Uber em Portugal mostra uma plataforma cada vez mais usada não apenas para refeições, mas também para compras de supermercado e retalho, com um padrão de consumo que confirma a integração destas apps na rotina.
A Uber diz que estes números representam uma utilização “total” do serviço, com pedidos repetidos ao longo do ano e um nível de despesa diário muito acima do que é habitual numa plataforma associada, sobretudo, a refeições rápidas.
Maior fã de hambúrgueres é de Barcelos com 383 pedidos no último ano no valor de 3704 euros
Hambúrguer e pão: o que os portugueses mais pediram
A Uber detalha também os hábitos mais comuns dos utilizadores. Nos restaurantes, o item mais pedido foi o hambúrguer. Já nos supermercados, o produto mais frequente nas encomendas foi o pão, sinal de que a app continua a ser usada como “atalho” para compras rápidas e reposição de básicos do dia a dia.
Em termos de horários, a Uber confirma aquilo que os utilizadores já sabem: o pico de encomendas na Uber Eats acontece entre as 19h00 e as 21h00, coincidindo com o período típico de jantar. E o dia com maior volume de pedidos em 2025 foi 29 de novembro, durante a Black Friday, quando a plataforma registou o maior número de encomendas do ano.
Na app de transporte, a viagem mais longa teve 600 km
A Uber divulgou também dados sobre o serviço de mobilidade. Em 2025, a viagem mais longa feita através da aplicação em Portugal percorreu cerca de 600 quilómetros, numa deslocação entre o Aeroporto de Faro e Matosinhos, atravessando praticamente o país de sul a norte.
O mês com maior número de viagens foi julho, reforçando o peso sazonal do turismo e das deslocações associadas às férias. Ainda assim, a Uber indica que a maioria das viagens em Portugal continua a ter destinos “funcionais” e repetidos: trajetos casa–trabalho, aeroportos, restaurantes e bares, centros comerciais, atrações turísticas e unidades de saúde.
O que os passageiros mais valorizam numa viagem
A empresa aponta ainda para aquilo que os utilizadores mais destacam na experiência dentro do carro. No topo aparece a excelência do serviço prestado, seguida da qualidade da conversa com o motorista e, em terceiro lugar, a limpeza e organização do veículo. Ou seja: os passageiros continuam a avaliar muito mais do que o simples transporte.
Um retrato de dependência digital — e uma tendência que não abranda
Os números revelados pela Uber não são apenas curiosidades: mostram como estas plataformas estão a tornar-se parte do quotidiano de uma fatia dos consumidores, com utilização diária e gastos elevados — incluindo compras de eletrónica e artigos de maior valor, algo que já ultrapassa o conceito inicial da “entrega de comida”.
Em Portugal, o comportamento mais extremo (1.900 pedidos num ano) torna-se notícia precisamente porque expõe uma realidade simples: há utilizadores para quem a app substitui o supermercado, o take-away e até a loja física — tudo no mesmo botão.



