Um projeto sediado em Braga, focado no combate à sobrecarga dos cuidadores informais na área da saúde mental, foi distinguido com o 2.º lugar na 12.ª edição do Prémio AGIR da REN.
Trata-se do “EntreLaços – Cuidar com Saber”, promovido pelo Instituto Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, que vai apoiar diretamente 20 cuidadores informais de pessoas com esquizofrenia.
A iniciativa aposta numa abordagem prática e estruturada para responder a um problema pouco visível, mas estrutural: o desgaste físico, emocional e social dos cuidadores. O projeto inclui 12 sessões de psicoeducação em grupo, dois encontros conjuntos entre cuidadores e pessoas cuidadas, 40 atendimentos individuais e a criação de um Grupo de Ajuda Mútua, pensado para garantir continuidade após o fim da intervenção financiada.
O objetivo é claro: prevenir o burnout, melhorar competências de gestão do cuidado, reforçar o autocuidado e reduzir o isolamento social que marca muitos cuidadores informais, sobretudo no contexto da doença mental.
Segundo Ana Filipa Mota, assistente social do Instituto Irmãs Hospitaleiras Braga, a sobrecarga dos cuidadores informais “é um problema significativo em Portugal”, agravado pelo estigma e pela exigência de vigilância permanente. O apoio da REN, sublinha, permite “reforçar respostas que aliviam efetivamente essa pressão” e chegar a mais pessoas com maior consistência.
O 1.º lugar do Prémio AGIR foi atribuído ao projeto SMAC – Serviço Móvel de Apoio ao Cuidador, da Santa Casa da Misericórdia do Marco de Canaveses, que vai apoiar 120 cuidadores. Já o 3.º lugar coube ao projeto Colmeia, da LongeVidade, com intervenção no Porto e em Gondomar.
O Prémio AGIR, promovido pela REN, distingue anualmente projetos de impacto social, atribuindo 30 mil euros ao primeiro classificado, 15 mil ao segundo e cinco mil ao terceiro, no âmbito da sua política de Responsabilidade Social Corporativa.



