Na segunda mensagem de Natal como primeiro-ministro, Luís Montenegro defendeu que Portugal pode “elevar a fasquia” do crescimento económico, melhorar salários e concluir a reforma da Administração Pública, mas só se houver um salto de produtividade e uma atitude de exigência permanente — a que chamou “mentalidade à Cristiano Ronaldo”.
Montenegro sublinha que o país tem uma janela rara de estabilidade política: “cerca de três anos e meio sem eleições nacionais”. Para o chefe do Governo, este período deve ser usado para executar reformas e ambicionar mais, evitando que Portugal fique para trás na corrida europeia.
O primeiro-ministro elenca sete condições que considera favoráveis: crescimento económico, estabilidade financeira, segurança, recursos humanos qualificados, apetência para novas tecnologias, localização geoestratégica e capacidade de diálogo no contexto internacional. A partir desta base, diz, é possível alcançar novos patamares de eficiência do Estado e de rendimentos.
A mensagem do líder do Executivo é clara: o Governo quer “jogar para ganhar”. Montenegro apresenta duas hipóteses — continuar a aproveitar o momento “em que estamos bem” ou usar a situação atual para garantir evolução e crescer mais do que outros países. “É a diferença entre jogar para empatar ou ter a mentalidade vencedora de jogar sempre para ganhar”, afirma, insistindo que o país deve abandonar a lógica de adiar decisões.
No discurso, recupera também exemplos de reconhecimento internacional. Cita a escolha de Portugal como economia do ano pela revista The Economist e o facto de, em 2024, o rendimento real dos trabalhadores portugueses ter sido o que mais cresceu na OCDE, impulsionado por salários e descida de impostos.
Ainda assim, lembra-se que no início de 2025 houve também perdas reais nas famílias.
Montenegro conclui que a subida de salários e a descida de impostos só são sustentáveis com mais produtividade, defendendo coragem política e reforma do Estado como condição para um país “mais forte e resiliente”.




