O segundo período letivo terminou ontem nas escolas públicas portuguesas, mas o ambiente está longe de ser tranquilo.
Diretores escolares antecipam um terceiro período marcado por greves, protestos e instabilidade, numa altura decisiva do calendário escolar.
As férias da Páscoa prolongam-se até 13 de abril, mas o regresso às aulas poderá trazer um cenário de forte tensão laboral.
O alerta é deixado por Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), que admite um possível agravamento do clima nas escolas.
“A paz pode terminar no terceiro período”, afirmou, apontando para ações já previstas pelos sindicatos. Entre elas, destaca-se uma greve ou manifestação agendada para 16 de maio, além de outras formas de protesto.
Divergências com o Governo agravam cenário
Na base do conflito está a revisão do Estatuto da Carreira Docente, onde continuam a existir divergências entre o Governo e estruturas sindicais, nomeadamente a FENPROF.
Filinto Lima não esconde preocupação: “Há grandes divergências e falta de consensos”, alertando que, sem acordo, o sistema educativo poderá enfrentar um período particularmente conturbado.
Apesar de reconhecer que o atual ministro trouxe estabilidade inicial ao setor, o responsável admite que essa fase pode estar a chegar ao fim.
Falta de professores continua sem solução
A par da tensão laboral, mantém-se o problema estrutural mais grave: a escassez de professores. O impacto já se fez sentir ao longo do ano letivo e deverá continuar no próximo período.
“É a parte mais negativa do sistema neste momento”, sublinha o dirigente, referindo que muitas escolas continuam a recorrer a soluções de recurso, como horas extraordinárias atribuídas aos docentes.
Ainda assim, avisa que estas medidas são insuficientes: “São apenas pensos rápidos”.
Salários baixos e burocracia afastam novos docentes
Entre as causas da crise estão salários considerados pouco atrativos, excesso de burocracia e um modelo de avaliação contestado.
“Os professores perdem demasiado tempo em tarefas administrativas quando deviam estar a ensinar”, critica Filinto Lima.
O problema tende a agravar-se com o elevado número de aposentações e a falta de renovação geracional. “Saem milhares por ano e não entram jovens suficientes”, alerta.
Terceiro período decisivo sob pressão
O próximo período letivo coincide com avaliações finais e exames nacionais, o que aumenta o risco de impacto direto sobre alunos e famílias.
A conjugação de falta de professores, protestos e exigência académica coloca o sistema educativo sob forte pressão num momento crítico.
O aviso está lançado: o regresso às aulas após a Páscoa pode marcar o início de um novo ciclo de conflito nas escolas portuguesas



