Líder do movimento Amar e Servir Braga arrasa primeiros seis meses do executivo PSD/CDS-PP/PPM e acusa Câmara de rasgar compromissos eleitorais e travar a oposição
Ricardo Silva não poupou críticas ao atual executivo da Câmara de Braga.
Em entrevista ao programa Sentido Único do E24, conduzido por João Pedro Lopes, o líder do movimento Amar e Servir Braga acusou João Rodrigues de liderar uma “governação impositiva”, sem diálogo e marcada por “continuidade para pior”.
Seis meses depois da tomada de posse da coligação PSD/CDS-PP/PPM, o vereador da oposição considera que Braga está perante um executivo “mais fraco, mais débil e inconsistente”, acusando ainda o novo presidente de tentar “romper com o legado de Ricardo Rio”, ao mesmo tempo que abandona compromissos assumidos em campanha.
“É um executivo de continuidade, mas de continuidade para pior”, afirmou Ricardo Silva.
Um dos principais ataques foi dirigido à decisão de abandonar a linha vermelha do BRT. O vereador acusa João Rodrigues de ter “rasgado” um financiamento de 75 milhões de euros poucos meses depois de defender publicamente o projeto.
“Em campanha dizia que o BRT era indispensável. Dois meses depois de tomar posse, rasga um compromisso financiado e troca-o por uma variante sem financiamento garantido”, criticou.
Ricardo Silva vai mais longe e admite dúvidas sobre a legitimidade da decisão. Segundo o próprio, quem deveria formalmente travar o projeto seria a empresa municipal TUB, e não diretamente o presidente da Câmara. O movimento já pediu documentação relacionada com o processo e quer conhecer eventuais indemnizações a empresas envolvidas nos concursos públicos já adjudicados.
Mas as críticas não se ficaram pela mobilidade.
O líder do Amar e Servir Braga acusa João Rodrigues de “não saber ouvir”, de impedir a participação da oposição e de bloquear propostas políticas no executivo municipal.
“Sem diálogo não há democracia. O presidente quer governar sozinho e silenciar a oposição”, afirmou.
Ricardo Silva também atacou a gestão urbanística da cidade, acusando o executivo de reagir “aos problemas em vez de planear”, num momento em que Braga enfrenta forte pressão imobiliária, trânsito crescente e dificuldades de acesso à habitação.
“O crescimento não é o problema. O problema é crescer sem estratégia”, disse.
Sobre as Sete Fontes, tema onde tem assumido posição pública forte, o vereador acusa a Câmara de olhar para o espaço “como um negócio imobiliário” em vez de um património ambiental e histórico.
“Seis meses depois da inauguração da primeira fase, não aconteceu absolutamente nada nas Sete Fontes”, apontou.
Ricardo Silva deixou ainda críticas à imagem de “cidade tecnológica” promovida por Braga, dizendo que a realidade municipal continua “presa a um modelo quase analógico”.
“Braga não é uma smart city”, atirou.



