João Cepa, ex-presidente da Câmara de Esposende, foi o convidado do Sentido Único do E24. Falou sobre eleições, promessas eleitorais e os desafios do concelho
João Cepa, que liderou a Câmara Municipal de Esposende durante 15 anos, voltou ao debate público numa rara entrevista, após mais de uma década afastado da política ativa. Reconhecido pelo papel na estabilidade autárquica e pelo investimento em áreas estruturantes como mobilidade, ambiente e ação social, Cepa traça um retrato crítico do presente e do futuro do concelho.
“Provavelmente só vou decidir na cabine de voto. Não senti entusiasmo com as candidaturas”
Foto: E24
Apoios pontuais e distância dos partidos
Sobre as eleições de outubro, o antigo autarca garantiu que não regressará à política. Apoia apenas duas figuras locais que integraram a sua lista independente em 2017: António Rossas (Palmeira de Faro) e José Magalhães (Fão). Mas descarta compromissos partidários:
“Em 2017 não fui avaliado pelo trabalho, mas pela popularidade. Sofri consequências pessoais e familiares.”
Sem arrependimentos pela candidatura independente de 2017, admite apenas ter subestimado os efeitos pessoais: “Não me arrependo da decisão, arrependo-me das repercussões para a minha família. Sofreram muito com tudo que se passou”.
Promessas eleitorais sob análise
Cepa considera de “difícil concretização” a proposta de comboio ou metro em Esposende:
“É praticamente impossível sem apoio do Estado”
Sobre a segurança, admite que a criação de Polícia Municipal “depende de meios externos” e critica a aposta em multiusos de grande escala, preferindo equipamentos mais pequenos e distribuídos pelo concelho. Já a variante à EN13 é, para si, “a obra mais prioritária para a zona urbana da cidade”.
Parque da cidade em risco
Questionado sobre o projeto do Parque da Cidade, Cepa alertou para os riscos de investir milhões numa zona identificada “em cota de cheia” e sujeita a inundações:
“É arriscado avançar sem essa reflexão. Pode ser destruído num só dia”
Esposende precisa de mais residentes
Para o futuro, o ex-presidente defende um objetivo claro: aumentar a população residente. Hoje, Esposende é marcado pela segunda habitação, mas faltam condições para fixar famílias.
“Habitação adequada, escolas privadas e transportes eficientes são determinantes para trazer mais gente”
A saudade de ser autarca
Apesar de afastado, Cepa não esconde o que mais lhe marcou nos anos de governação:
“Acordar todos os dias com a motivação de resolver problemas e melhorar a vida das pessoas era um privilégio”