O petróleo dominou o discurso de Donald Trump sobre a Venezuela.
Numa conferência de imprensa realizada em Mar-a-Lago, na Florida, o presidente dos Estados Unidos deixou claro que o interesse estratégico de Washington está focado nas vastas reservas energéticas venezuelanas, usando o setor petrolífero como principal argumento para justificar uma eventual intervenção no país sul-americano — uma operação que, admitiu, poderá prolongar-se por vários anos.
Trump enquadrou a sua posição como parte de uma estratégia mais ampla de reafirmação da influência norte-americana na América Latina.
“A predominância da América no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionada”, afirmou, enviando também um aviso direto a Cuba e a outros governos da região.
Embora tenha retomado o argumento da guerra às drogas, acusando Nicolás Maduro de permitir a atuação de grupos criminosos nos EUA — alegações feitas sem apresentação de provas —, o combate ao narcotráfico ficou em segundo plano.
O foco foi, repetidamente, o potencial económico do petróleo venezuelano e as oportunidades para as grandes petrolíferas norte-americanas.
“Teremos as nossas grandes empresas a investir milhares de milhões de dólares para reparar infraestruturas degradadas e voltar a gerar riqueza”, disse Trump, descrevendo o plano como uma “parceria” que tornaria a Venezuela “rica, independente e segura”.
O presidente mencionou ainda possíveis compensações às empresas afetadas pela nacionalização do setor petrolífero iniciada pelos governos chavistas a partir de 1999.
Questionado sobre a duração de uma eventual presença norte-americana no terreno, Trump foi direto: “Vamos governar o país até existir uma transição segura”. Garantiu, no entanto, que a operação “não custará nada” aos EUA.



