O movimento Amar e Servir Braga (ASB) rejeitou a proposta avançada por João Rodrigues para atribuir pelouros apenas a um ou dois dos seus vereadores.
A posição foi transmitida depois de uma reunião que o movimento classificou como “inconclusiva”, sem qualquer proposta fechada e sem clareza sobre o futuro das negociações.
Ricardo Silva, um dos três eleitos do ASB, afirma que o grupo funciona como um bloco coeso, legitimado por mais de 21 mil votos, e que não aceita soluções que impliquem fracionar o grupo de trabalho.
A reunião contou apenas com o próprio vereador e o presidente da Câmara de Braga, mas Silva explica que o movimento decidiu que alguém deveria marcar presença “para não ser acusado de travar conversações”.
Segundo o ASB, João Rodrigues levantou a hipótese de distribuir responsabilidades governativas apenas a parte dos eleitos, algo que o movimento rejeitou de imediato.
“Não faz sentido partir o grupo”, resumiu Ricardo Silva.
O encontro serviu também para discutir pontos que o autarca pretende levar à próxima reunião de câmara, incluindo reorganização administrativa, nomeações para empresas municipais e um processo de delegação de competências na presidência.
Este último ponto deixou mais dúvidas do que respostas. O movimento diz não ter recebido detalhes sobre o modelo de delegação que João Rodrigues pretende implementar nem sobre o alcance das competências a transferir. O autarca apontou como objetivo tornar as reuniões menos extensas e agilizar procedimentos internos, mas não apresentou qualquer desenho concreto.
“Sem informação, não podemos decidir”, insiste o movimento.
A conversa terminou sem avanços e sem indicação de nova reunião. O ASB aguarda sinais do presidente da câmara, mas admite não saber se João Rodrigues pretende continuar a negociar ou se considera a discussão encerrada.
Chega fora do executivo e com promessa de “oposição construtiva”
Também Filipe Aguiar, vereador eleito pelo Chega, reuniu com João Rodrigues, mas garante que não recebeu qualquer convite para integrar o executivo.
O encontro serviu, afirma, apenas para trocar opiniões sobre o concelho e levantar preocupações sobre temas pendentes.
Sobre a reorganização administrativa, confirma que o assunto foi abordado e promete avaliar as propostas caso a caso.
Aguiar afirma que pretende exercer uma oposição “exigente, mas construtiva”, colocando o interesse da cidade acima de disputas partidárias. O Chega elegeu um vereador e cinco deputados municipais, depois de somar 11 205 votos no concelho.
Com as negociações políticas ainda indefinidas e sem acordos firmados, Braga mantém um executivo minoritário e um cenário de incerteza quanto à distribuição de responsabilidades nos próximos meses.



