A maioria das escolas deve alargar a interdição do uso de telemóveis ao 3.° Ciclo para facilitar a vigilância e evitar injustiças, apelam diretores e pais, numa altura em que este é considerado o maior desafio do arranque do ano letivo.
Seja por uma questão de “justiça” ou para facilitar a vigilância, os diretores de agrupamentos acreditam que a maioria das escolas vai acatar a recomendação do Governo e alargar a proibição.
“Tendo em conta que a maioria das escolas são do 2.° e 3.° ciclos, estou convencido de que vão adotar essa postura, senão temos ‘filhos e enteados’ no mesmo espaço. E isso cria confusão”, explica Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).
Apesar de ter sido enviado, em agosto, um conjunto de recomendações às escolas, há ainda muitas perguntas por responder, nomeadamente sobre a forma como será comprovada a não utilização do telemóvel.
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, garantiu que a tutela vai “acompanhar com muita atenção a implementação” ao longo do ano.
A presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Mariana Carvalho, admite que a novidade vai criar “constrangimentos” e apela a que haja um diálogo entre todos os intervenientes para “clarificar as regras“.
Filinto Lima considera que o controlo “ultrapassa o edifício escolar” e que a escola está “a ser cobaia para combater o uso excessivo” dos smartphones.
“Estamos a dar muita responsabilidade às escolas e a desresponsabilizar a sociedade”, critica.
“Estes é um trabalho que tem que começar em casa” afirma Manuel Meira
O diretor do agrupamento de escolas António Correia de Oliveira (ACO), Manuel Meira, deu nota ao E24 que a medida da proibição dos telemóveis nas escolas deste agrupamento do concelho de Esposende já foi aprovada antes das medidas do Governo.
“Anunciamos a 9 de maio. O que vai mudar? A pergunta não bem ao que vai mudar, pois isto é um trabalho conjunto das escolas, famílias e entidades. Curricularmente não vamos utilizar telemóveis”, referiu Manuel Meira.
“Temos evidências o quanto é nocivo é a utilização dos telemóveis sem regras nestas idades da pré adolescência e adolescência. Eu considero, que hoje em dia, é mais perigoso para uma criança o acesso ao telemóvel ou internet na sociedade do que na escola. É um assunto muito sério”, disse.
O diretor do agrupamento ACO afirmou no entanto que haverá exceções à proibição.
“Estão previstas algumas situações, como alunos que utilizam o telemóvel para controlar os diabetes. Tem que haver conhecimento das direções escolares”, frisou.
Nesta escola esposendense o telemóvel deixa de fazer parte dos recreios ou sala de aulas.
“Eles até podem levar, pois pode ser necessário no fim das aulas coordenar com os encarregados de educação a boleia ou os centros de estudo. Nós vamos ter sanções pesadas para quem não obedecer à proibição do telemóvel”, apontou Manuel Meira.



