O incêndio florestal que deflagrou no sábado à noite, cerca das 22h00, no lugar de Parada, em Lindoso (Ponte da Barca), continua a lavrar com intensidade e já consumiu mais de três mil hectares de área.

O fogo ameaça agora duas zonas de elevado valor ecológico no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG): a secreta Mata de Cabril (mesmo na fronteira com Espanha) e a Mata da Albergaria (em Terras de Bouro do outro de Vilarinho das Furnas), ambas reservas integrais e fortemente protegidas.
O Comandante Sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Alto Minho Marco Domingues, afirma que o incêndio “fintou” novamente os meios de combate, abrindo frentes incontroláveis.
Uma das frentes, à semelhança de 2010, está a progredir em direção à Mata de Cabril, impulsionada por ventos e pela incapacidade de definir uma estratégia face à instabilidade.
Outra frente desloca-se em contravento e contra declive para Germil, podendo mesmo entrar em Gondariz caso nada seja feito. E Vila Verde, por Mixões da Serra, é logo a seguir.
As autoridade espanholas acompanham a situação, pois uma das frentes pode cruzar a fronteira zona de Santa Eufémia, aumentando o risco de propagação internacional.
O E24 sabe que os vizinhos galegos já foram pedidos dados sobre o incêndio e a potencial ameaça.
Há ainda as projeções que podem perfeitamente atingir do outro lado da albufeira a Mata de Albergaria ou passar a Portela do Homem.
Estão no terreno 387 operacionais, apoiados por 127 veículos e quatro meios aéreos, incluindo recursos enviados de Espanha. No entanto, o único helicóptero afeto ao Centro de Meios Aéreos de Arcos de Valdevez encontra-se inoperacional após colisão com uma ramada, o que limita ainda mais a capacidade de combate aéreo.
A orografia do terreno e fenómenos meteorológicos locais têm condicionado todas as estratégias.
Perante a gravidade da situação, o presidente da Câmara de Ponte da Barca, Augusto Marinho, apelou ao Governo para ativar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil.
“Falei com a ministra da Administração Interna e pedi-lhe apoio europeu ou bilateral, nomeadamente com Espanha, para travar este flagelo que ameaça o nosso território e património ambiental.”
A situação permanece crítica, exigindo resposta reforçada e urgente para evitar uma catástrofe ambiental de grandes proporções. O ICNF continua em silêncio.






