A Câmara decidiu que Viana do Castelo precisava brilhar mais que Las Vegas em novembro.
Novembro é um mês curto, mas as luzes foram longe. Já em novembro, as ruas apareceram mais iluminadas do que St Moritz em pleno dezembro natalício. E, pelos vistos, também mais do que qualquer conta de eletricidade conseguia aguentar sem provocar uma crise internacional.
Luís Nobre surgiu, então, a queixar-se do IVA. Para rir… ou para chorar. Se calhar não calculou bem a fatura, mas já estamos habituados a este tipo de “surpresas” orçamentais que, de algum lado, têm de ser pagas. O nosso autarca lembrou-se, de repente, de reclamar do IVA da luz — do Estado. Como se o município não fizesse parte do Estado, mas fosse antes uma start-up socialista. Lembro-me de quando pensava que “município” era sinónimo de Estado, mas, pelos vistos, há quem trate Viana como uma padaria em que os pães são servidos por malabaristas. Panem et circenses, caros leitores. Pão e circo.
E eu até concordo com a diminuição do IVA. Não para 6%, mas para zero, se possível. Gosto de impostos mínimos, de estímulo económico. As empresas precisam de energia barata para produzir e gerar riqueza, e as famílias também. IVA zero na eletricidade seria magnífico — fábricas a trabalhar a todo o watt, frigoríficos cheios sem o contribuinte levar uma facada extra na fatura, e ainda sobrava guito para o bacalhau da consoada. Sonho? Talvez. Mas, pelos vistos, até os sonhos pagam IVA.
O problema, Sr. Presidente, não é o IVA. O problema é a gestão. Sempre que passo por Viana sinto ansiedade para comprar as prendas do Natal e depois lembro que ainda estou no início de novembro.
Aqui vai uma consultoria grátis, daquelas que até Guterres daria: É fazer as contas, antes de apertar o interruptor. Priorizar: quer luzes? Ótimo. Eu adoro luzes de Natal — Viana do Castelo está bonita, não estou a deitar abaixo — não sou fã das luzes azuis, que dão a sensação de entrar num talho, não tem Je ne sais quoi; prefiro a luz amarela/quente (2700 K–3000 K), é isso que faz magia. Mas, enfim, não se pode gastar como o Rei Luís de França desde fins de outubro e depois sacudir a água do capote com o IVA.
Porque, convenhamos, se o IVA da eletricidade é o vilão, porque é que outras câmaras conseguem fazer Natal sem parecer que assaltaram a central de Alqueva? O tempo é uma variável que conta no custo; gestão, one-on-one.
Enfim, caros vianenses, as luzes estão lindas, já brilham como o futuro que nos prometeram, mas a fatura chega em breve. Pena é que, enquanto o centro parece uma árvore de Natal gigante, mas ainda há freguesias onde falta saneamento e falta água canalizada. As aldeias também são Viana, embora às vezes pareça que só contam quando chega o boletim eleitoral.



