“A cidade precisa de um espaço dedicado às artes e à cultura”, defende Fernanda Cerqueira, do Grupo Amador de Teatro Esposende Rio Cávado (GATERC).
A presidente do GATERC reconhece que o Auditório Municipal de Esposende – uma garagem adaptada – acaba por não ser “o melhor espaço”.
Aliás, uma das peças do 15.º Encontro de Teatro de Esposende (ET), teve mesmo que ser adiada devido a inundação no auditório face ao mau tempo.
“Uma das peças do ET, por acaso a nossa, teve que ser adida para o dia 6 de dezembro devido a inundação no Auditório Municipal fruto da tempestade Cláudia“, referiu Fernanda Cerqueira.
Desta forma a peça “Grandes Males, Grandes Remédios” do GATERC encerra o ET a 6 de dezembro.
Multiusos ou regresso do Teatro Club?
Os vários partidos e movimentos políticos falaram na campanha autárquicas da construção de um multiusos, que a Associação “Mudança” quer que seja junto ao nó da A28 em Esposende. Fernanda Cerqueira refere que “não é ideal”, mas mesmo assim olha com bons olhos essa vontade.

Questionada sobre “um regresso às origens” do Teatro Club – atualmente adaptado a Museu Municipal – Fernanda Cerqueira admite que seria o ideal.
“Claro que neste momento o Teatro Club para voltar a ter teatro ou outros espetáculos teria que sofrer algumas obras. Recentemente fizemos lá uma gravação para um projeto do GATERC na Madeira em colaboração com a Liga Portuguesa Contra o Cancro. É sem dúvida um espaço maravilhoso e bonito. Feito na altura para o teatro”, confessa a presidente do GATERC.
Esta edição do ET voltou a demonstrar a vitalidade do teatro no concelho
O ET continua a ser um daqueles encontros “fora da caixa” e que dá oportunidade do público conhecer trabalhos de companhias profissionais em territórios foram dos grandes teatros como Braga, Porto ou Lisboa.
“O encontro está a correr muito bem. O público tem-se fidelizado e já nos acompanha desde vários pontos da região — Barcelos, Porto, Braga e Guimarães”, afirma Fernanda Cerqueira
A associação celebra 23 anos de atividade e assume com orgulho o papel singular que desempenha no panorama local.
“Somos o único grupo totalmente amador do Encontro, lado a lado com companhias profissionais. Para nós, isso é motivo de grande satisfação.”
Apesar das dificuldades, a GATERC tem conseguido manter a programação e garantir qualidade artística. A responsável reconhece que nem sempre o apoio institucional tem acompanhado o esforço da associação, mas o futuro mostra-se promissor.
“Com o envio do nosso projeto para 2026, fomos finalmente contemplados. Acreditamos que 2026 será um ano de concretização de sonhos e de crescimento. O programa será apresentado à população e queremos fazer ainda mais”, deu nota.
A fechar esta edição, o público poderá ver ainda a peça “A Loba”, apresentada pela Peripécia Teatro no dia 29 de novembro, centrada na relação entre o ecossistema e o lobo ibérico.
O 15.º ET termina a 6 de dezembro, mas o espírito teatral promete regressar ainda com mais força nos próximos anos.



