A novela dos “beijinhos” continua a dar trabalho ao Chega.
A Comissão de Transparência concluiu que Filipe Melo, vice-secretário da Mesa da Assembleia da República, ultrapassou todos os limites quando decidiu mandar beijos à deputada socialista Isabel Moreira em plena sessão plenária.
No parecer agora aprovado, o aviso é claro: peça desculpa, publicamente e de forma formal, e pense seriamente se tem condições para continuar no cargo. Simples.
Até agora, Melo, também vereador eleito no distrito de Braga no concelho de Vila Verde, mantém a tática do silêncio. Questionado esta manhã, preferiu não explicar o que tenciona fazer. Também pouco tem aparecido no lugar onde deveria garantir o bom funcionamento dos trabalhos parlamentares — coincidência ou não, desde o incidente praticamente desapareceu da Mesa.
O caso não é isolado. Já em setembro, Isabel Moreira apresentou queixa.
E mais recentemente, a deputada socialista Eva Cruzeiro acusou Melo de lhe gritar “vai para a tua terra”, abrindo um novo capítulo de alegações de racismo e xenofobia.
O parecer vai direto ao ponto: a conduta foi inaceitável, comprometeu a isenção exigida a um deputado e violou gravemente os deveres parlamentares. A Comissão nota ainda que, embora Melo tenha admitido o erro, não demonstrou arrependimento real.



