Portugal atingiu um marco histórico. Segundo os dados do INE relativos ao terceiro trimestre de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) acumulado dos últimos quatro trimestres superou, pela primeira vez, os 300 mil milhões de euros, fixando-se em 302,2 mil milhões de euro.

O número confirma a tendência de crescimento nominal da economia, mesmo num contexto de expansão real mais moderada.
Volume vs. valor: o que está realmente a crescer
O PIB tem duas leituras. Em volume, corrige-se o efeito da inflação para perceber se o país produziu mais bens e serviços do que no ano anterior. Em valor, mede-se o PIB aos preços efetivos de mercado, sem retirar o impacto da subida dos preços. Neste cenário, é possível que a produção real pouco avance, mas o valor total aumente devido ao encarecimento generalizado.
No terceiro trimestre, o PIB real cresceu 2,4%, mas o PIB em valor avançou 6,7%, quase o triplo. O desfasamento resulta, sobretudo, da inflação, que continua a impulsionar o valor nominal da economia.
Crescimento nominal alivia a dívida
A utilidade prática deste crescimento é direta: a dívida pública e privada é medida em euros a preços de mercado. Se o PIB em valor cresce mais depressa do que a dívida, o seu peso relativo diminui. Esta dinâmica tem sido crucial para Portugal ao longo da última década.
A inflação tem funcionado como “amiga do devedor”. Com mais euros gerados pela economia, o esforço necessário para pagar a dívida diminui, desde que os juros se mantenham estáveis. O país tem assim conseguido reduzir rapidamente a carga da dívida, mesmo com crescimentos reais moderados.
Portugal aproxima-se de ficar abaixo da média europeia
A trajetória recente é clara:
2020: 134,1%
2021: 123,9%
2022: 111,2%
2023: 97,9%
2024: 94,9%
2025: 90,2% (estimativa)
2026: 87,8% (estimativa)
Em seis anos, Portugal deverá cortar um terço do peso da dívida pública.



