Olá, caro leitor. “Sic semper tyrannis”, assim perecem os tiranos. A frase deixa de ser mero anelo e passa a ressoar qual marco histórico para milhões de venezuelanos que, há mais de duas décadas, padeceram sob o jugo de um regime socialista draconiano.
Nicolás Maduro, que até então usurpava o poder após haver perdido eleições, foi capturado por autoridades dos Estados Unidos. O seu governo, já reduzido a um cadáver político sustentado por repressão, fraude eleitoral e corrupção endémica, chega ao seu fim.
O socialismo tombou uma vez mais, moral, económica e historicamente. Neste caso, o regime era uma versão exacerbada de socialismo narcotraficante. Enquanto militantes de esquerda, que se arrogam defensores da liberdade no conforto das democracias liberais, persistem em defender a experiência venezuelana com slogans ocos e acusações automáticas de “imperialismo ianque”, o mundo real observa o que sucede quando o socialismo abandona o papel e assume o controlo total de um Estado: miséria, êxodo, fome e violência durante décadas, sem conceder ao povo a mínima oportunidade de alterar o rumo.
Esses hipócritas de salão, que jamais provariam o fel da sua ideologia na própria carne, merecem um pontapé na boca da utopia: parem de romantizar ditaduras que devoram nações, ou assumam as vossas malas e emigrem para lá, para verem se o paraíso socialista vos agrada tanto quanto o pregam nos cafés de Lisboa ou Paris. Não me alongarei em discussões estéreis sobre Donald Trump, o tão propalado “direito internacional” e afins.
Para quem ainda não compreendeu, vivemos numa Nova Ordem Mundial desde que a Rússia calcou o Donbass; ademais, existem múltiplas evidências de que a operação americana se desenrolou dentro da legalidade, pois Maduro já não era um líder reconhecido mundialmente, mas um usurpador do poder que subornou todo o aparato militar venezuelano através de capitais oriundos do narcotráfico, do petróleo e do tráfico humano.
Trump quer o petróleo da Venezuela
Essa foi a pedra angular usada por Maduro desde o início e a frase mais repetida por quem ignora a situação. Sim, o petróleo da Venezuela nunca foi do povo, nunca foi empregado em prol do povo; quem enriquecia era uma elite política e militar socialista, eram as FARC, era o Hamas que utilizava estes recursos, eram os russos, a China e oIrão… Sim, o regime de Maduro sempre foi muito próximo da Rússia, nunca simpatizou com a Ucrânia. Faz parte do eixo das ditaduras.
Desde que Maduro ascendeu ao poder em 2013, a inflação na Venezuela escalou a níveis hiperbólicos, transformando a economia numa caricatura de caos. Em 2013, a taxa de inflação anual rondava os 41%, mas rapidamente degenerou: em 2014, subiu para cerca de 62%; em 2016, atingiu os 255%; em 2017, 438%; culminando em 2018 com uns assombrosos 63.374% e, em 2019, um pico de 19.906%, com registos mensais que chegaram a 344.510% em fevereiro desse ano, segundo dados de organismos como o FMI e o Banco Mundial. Esta hiperinflação, inédita na história moderna, evaporou poupanças, destruiu o poder de compra e reduziu salários a meras ficções numéricas, enquanto os preços de bens essenciais disparavam diariamente. O povo nunca vislumbrou os recursos naturais, só fome e mais miséria.
O cerco internacional e as acusações contra Maduro
Desde 2020, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusa formalmente Nicolás Maduro de chefiar o chamado Cartel de los Soles, uma estrutura de narcotráfico que envolveria altas patentes das Forças Armadas venezuelanas. As imputações incluem conspiração para o tráfico internacional de cocaína, colaboração com as FARC, branqueamento de capitais e corrupção sistémica. O governo norte-americano ofereceu uma recompensa milionária por informações que conduzissem à sua captura, algo inédito para um chefe de Estado em exercício.
Estas acusações não emergiram do vazio. Somam-se a um historial documentado de violações dos direitos humanos, repressão de opositores, eleições amplamente contestadas por observadores internacionais e alianças estratégicas com regimes autoritários como o Irão e Cuba.
Maduro não governava como um presidente democrático, mas como ditador assassino de um aparelho repressivo, sustentado pelo medo e pelo clientelismo.
Da prosperidade ao colapso: o legado do socialismo venezuelano
A tragédia venezuelana não começou com Maduro, mas foi herdada de Hugo Chávez e da sua chamada “Revolução Bolivariana”, iniciada em 1999. Antes disso, a Venezuela figurava entre os países mais opulentos da América Latina. Nas décadas de 1970 e 1980, possuía um dos maiores PIB per capita da região, uma classe média robusta, infraestruturas funcionais e forte atracção de imigrantes. O petróleo, longe de ser uma maldição inevitável, financiava crescimento e consumo. Caracas era um símbolo da modernidade latino-americana. Tudo isto começou a ruir com a implementação sistemática de políticas socialistas: nacionalizações indiscriminadas, controlos artificiais de preços e do câmbio, destruição da iniciativa privada e aparelhamento completo do Estado.
O resultado é conhecido: hiperinflação a níveis históricos, colapso do sistema de saúde, escassez crónica de alimentos e medicamentos, apagões constantes e a maior crise migratória da história recente da América Latina, com mais de sete milhões de venezuelanos forçados a abandonar o país. Isto não é propaganda. São dados de organismos internacionais.
O socialismo não falhou na Venezuela. Fez exactamente o que sempre faz: concentrou poder, destruiu incentivos económicos e empobreceu a população.
Resistência, repressão e símbolos de coragem
Apesar da máquina repressiva, o povo venezuelano nunca aceitou passivamente a sua condição. Protestos massivos marcaram os últimos anos, frequentemente reprimidos com violência. Entre os símbolos dessa resistência está Óscar Alberto Pérez, ex-piloto da polícia que, em 2017, desafiou publicamente o regime numa acção espectacular contra edifícios governamentais.
Pérez foi executado em 2018 por forças do Estado, mesmo após sinais claros de rendição, num episódio amplamente denunciado por organizações de direitos humanos. Tornou-se um mártir para muitos venezuelanos, não por romantismo, mas por representar o desespero de um povo encurralado.
Juan Guaidó, por sua vez, emergiu em 2019 como líder ao declarar-se presidente interino com base na Constituição venezuelana, sendo reconhecido por mais de 50 países. Guaidó enfrentou prisões, ameaças e exílio, mas nunca dobrou a espinha. “A Venezuela vai renascer livre!”, repetia, inspirando milhões. Estes dois gigantes partilhavam o ideal maçónico eterno: liberdade, igualdade e fraternidade — os pilares que forjaram a democracia plena no mundo, da Revolução Francesa à independência americana. Enquanto os comunistas pregam igualdade na miséria, estes heróis lutavam pela verdadeira fraternidade: oportunidades para todos, sem correntes estatais. Embora a sua estratégia não tenha resultado na queda imediata do regime, expôs internacionalmente a ilegitimidade de Maduro e mostrou que o chavismo apenas sobrevive à custa da força bruta.
O que está em jogo
A Venezuela permanece como um alerta vivo para a América Latina e para o mundo. Não se trata de teoria económica, mas de vidas reais destruídas por um projecto ideológico que promete igualdade e entrega miséria. Entretanto, países que avançam no sentido de reformas liberais, como a Argentina sob Javier Milei, demonstram que existem alternativas fora do ciclo eterno do populismo estatizante.
O fim do regime socialista venezuelano não é uma vitória da direita ou da esquerda, mas da realidade sobre a fantasia.



