Pais e familiares de crianças que frequentam a Academia Sonhar e Crescer, na freguesia de Carnide, em Lisboa, manifestaram-se esta segunda-feira à porta da creche, denunciando alegados maus-tratos físicos e psicológicos infligidos aos filhos.
O protesto surge após relatos convergentes de agressões, sustentados por testemunhos de ex-funcionários e por participações já apresentadas às autoridades.
Entre os manifestantes esteve Francisco Cavaneiro, pai de uma criança de quase dois anos que, segundo afirma, terá sido agredida por uma funcionária da instituição na semana passada. A criança sofreu um traumatismo craniano e foi assistida no Hospital da Luz.
“Já fizemos participação na PSP, no Departamento de Investigação e Ação Penal e na Comissão de Proteção de Crianças e Jovens. Agora vamos avançar para a investigação criminal”, afirmou.
De acordo com o pai, o filho frequentava a creche desde os seis ou sete meses e nunca tinha havido suspeitas graves até este episódio.
“Confirmámos tudo pelo testemunho de uma ex-funcionária, que nos contou o que se passava entre portas”, disse.
Relatou ainda que existem versões segundo as quais a criança terá desmaiado após agressões e sido tapada com uma manta. Os pais admitem que já tinham detetado marcas na pele, mas sem dimensão que justificasse suspeitas mais graves.
Após o caso, vários pais juntaram-se e trocaram informações, relatando arranhões, nódoas negras, assaduras e marcas na cabeça e nas costas dos filhos. Durante o protesto, foram exibidas fotografias com alegadas marcas das agressões.
Outra mãe, Sofia Guedes, contou que retirou a filha da creche em 2022, após esta ter chegado a casa com a orelha pisada.
Os pais denunciam ainda falta de transparência na gestão da instituição, que terá funcionado com vários nomes e valores de mensalidade diferentes, sem explicação clara.



