Enquanto a Península Ibérica contabiliza prejuízos de 4 mil milhões de euros devido às cheias, o Báltico congela e obriga à abertura de vias rodoviárias sobre o mar.
A Estónia procedeu este domingo à abertura da primeira estrada de gelo oficial da temporada, uma infraestrutura vital de 17 quilómetros que liga as ilhas de Hiiumaa e Saaremaa. Com o Mar Báltico congelado e a circulação de ferries interrompida, a Autoridade de Transportes da Estónia assumiu o controlo da via, monitorizando rigorosamente a espessura do gelo para garantir a segurança dos condutores. Esta solução, embora pareça saída de um cenário de ficção, é a única alternativa para garantir a mobilidade entre as ilhas num inverno que tem fustigado o leste europeu com temperaturas polares.
Contudo, o perigo reside nas vias não oficiais, como a que liga o continente à ilha de Vormsi. Nestes sete quilómetros de travessia, a segurança é descrita pelas autoridades locais como uma “autêntica lotaria”. A Polícia da Estónia tem alertado os condutores para os riscos extremos, uma vez que, apesar de não haver uma proibição formal de circular sobre o gelo, ninguém consegue garantir a resistência da camada gelada em toda a sua extensão. Este cenário de congelamento estende-se até à cidade russa de São Petersburgo, onde os canais apresentam este ano uma solidez invulgar devido às temperaturas que se fixaram nos 12 graus negativos.
Em contraste absoluto com o congelamento do Leste, o sul da Europa vive uma realidade oposta e dramática. Em Espanha e Portugal, as autoridades mantêm o alerta devido às cheias que continuam a fustigar várias regiões. Segundo os dados mais recentes, os prejuízos acumulados já se aproximam dos 4 mil milhões de euros, com muitas barragens em níveis máximos e infraestruturas seriamente danificadas. Pode acompanhar a evolução meteorológica em tempo real através do IPMA em Portugal ou do AEMET em Espanha. Para entender melhor o impacto global destas variações térmicas extremas, consulte o portal do Copernicus Climate Change Service.



