Autarca defende regime de exceção para o regadio tradicional e anuncia candidatura a Património Agrícola Mundial para salvaguardar a paisagem e a economia local.
O Presidente da Câmara de Paredes de Coura, Tiago Cunha, aproveitou a presença do Secretário de Estado da Agricultura num colóquio sobre raças autóctones para lançar um alerta crítico sobre o futuro do setor. Para o autarca, a atual regulamentação do Estado, muitas vezes imposta pelo PEPAC (Plano Estratégico da Política Agrícola Comum), está a asfixiar os produtores locais. Entre os obstáculos apontados estão as restrições de encabeçamento de gado na Rede Natura 2000 e a desvalorização dos baldios, que as regras europeias classificam frequentemente como terrenos incultos, ignorando as práticas tradicionais de pastoreio.
Tiago Cunha elencou exemplos práticos da desconexão entre o gabinete e o campo, como as exigências desajustadas para indemnizações por ataques de lobo ou a imposição de caudalímetros em sistemas de regadio tradicional que poderiam desfigurar a paisagem. O autarca defendeu que os agricultores são, na verdade, os “maiores ambientalistas” da região e propôs soluções inovadoras:
- Comunidades Energéticas Rurais: Recuperação de moinhos e engenhos antigos para a produção de energia, unindo conservação patrimonial e transição energética.
- Património Mundial (GIAHS/SIPAM): Candidatura da paisagem agrícola de Coura ao selo da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), garantindo proteção internacional para os sistemas agrícolas únicos do concelho.
O colóquio, que reuniu entidades como a DGAV e os secretários técnicos das raças Minhota e Cachena, serviu de palco para exigir que o PEPAC inclua medidas específicas de conservação e sustentabilidade que respeitem a identidade do território. Paredes de Coura reafirma-se assim como parte da solução, exigindo um Estado que facilite a vida a quem mantém o território vivo e resiliente contra o abandono e o risco de incêndio.



