O futuro porta-drones da Marinha Portuguesa, o NRP D. João II, já foi colocado a flutuar pela primeira vez. A cerimónia decorreu na Roménia e marca um momento decisivo num projeto considerado único na União Europeia.
Financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o navio deverá reforçar a esquadra nacional já no primeiro semestre de 2027.

Um navio único e altamente tecnológico
Conhecido como Plataforma Naval Multifuncional (PNM), o ‘D. João II’ foi desenhado para funcionar como porta-drones, integrando tecnologia avançada e capacidade de adaptação a diferentes missões.
Entre os principais destaques estão:
- Catapulta para drones e pista com 94 metros
- Operação de drones de asa fixa e VTOL (descolagem vertical)
- Helideck para helicópteros EH-101
- Hangar para helicópteros NH90
- Sistemas não tripulados de superfície e subaquáticos
O navio inclui ainda laboratórios científicos, enfermaria e áreas dedicadas à investigação, reforçando o papel de Portugal na ciência dos oceanos.

Capacidade operacional e científica
Com 107,5 metros de comprimento e 20 metros de largura, o NRP D. João II terá cerca de 7000 toneladas e velocidade máxima de 15 nós (28 km/h).
A autonomia é um dos pontos fortes: até 45 dias no mar, permitindo missões prolongadas de:
- Monitorização ambiental
- Investigação oceanográfica
- Vigilância marítima
- Apoio a operações de emergência
Tripulação e capacidade de transporte
O navio foi concebido para operar com uma base de 48 militares, podendo ainda receber:
- 42 cientistas
- 100 militares adicionais
- Mais de 200 civis em cenário de emergência
Ao nível logístico, tem capacidade para transportar:
- 18 contentores
- 18 viaturas
- 10 lanchas semirrígidas
Inclui ainda sistemas como grua de 30 toneladas, porta RO-RO para carga e propulsores azimutais, garantindo elevada manobrabilidade e eficiência.
Investimento de 132 milhões de euros
O custo total do projeto ascende a cerca de 132 milhões de euros, financiados pelo PRR, num investimento estratégico que junta defesa, ciência e economia do mar.

Um salto estratégico para Portugal
Este navio representa uma mudança clara no posicionamento da Marinha Portuguesa, apostando em tecnologia, modularidade e interoperabilidade com entidades científicas e civis.
A flutuação agora alcançada confirma que o ‘D. João II’ começa a sair do papel para se tornar uma realidade — e pode colocar Portugal na linha da frente da inovação naval na Europa.



